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Publicado em 6 de novembro de 2025 às 12:20
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu oficialmente, nesta quinta-feira (6), em Belém, a Cúpula dos Líderes que antecede a COP 30. Em discurso marcado por apelos à ação global e pela defesa do protagonismo amazônico, Lula afirmou que esta será “a COP da verdade”, chamando atenção para a urgência em conter o aquecimento global e a desigualdade entre nações.>
“Pela primeira vez na história, uma COP do clima terá lugar no coração da Amazônia”, iniciou o presidente, destacando o simbolismo de sediar o evento na região que, segundo ele, representa o “maior patrimônio natural da humanidade”. Lula exaltou os povos amazônidas e indígenas, que “diariamente conjugam seus modos de vida com a missão vital de proteger a floresta”, e disse ser “justo que agora seja a vez deles indagarem o que o resto do mundo está fazendo para evitar o colapso de sua casa”.>
Durante o discurso, o presidente fez um balanço do Acordo de Paris e lembrou que 2025 marca uma década de sua adoção e 80 anos da criação da ONU. Segundo Lula, o tratado climático “mostrou o poder da mobilização coletiva”, mas também as limitações do sistema multilateral, ainda dominado por interesses imediatos.>
“O ano de 2024 foi o primeiro em que a temperatura média da Terra ultrapassou 1,5 grau acima dos níveis pré-industriais”, alertou, citando projeções que indicam um possível aumento de até 2,5 graus até 2050. Para ele, “é hora de encarar a realidade e decidir se teremos coragem e determinação para transformá-la”.>
Lula afirmou que o Brasil pretende fazer da COP 30 um marco, conectando a agenda climática com as discussões do G20 e dos BRICS. Ele ressaltou que o país vem defendendo a ampliação do financiamento climático e a transferência de tecnologia para nações em desenvolvimento. “Acelerar a transição energética e proteger a natureza são as duas formas mais efetivas de conter o aquecimento global”, declarou.>
O presidente também pediu que a discussão sobre o clima saia “dos salões diplomáticos” e chegue ao cotidiano das pessoas. “Elas podem não entender o que são emissões de carbono, mas sentem a poluição. Podem não compreender o que é financiamento condicional, mas sabem que nada se faz sem recurso”, afirmou.>
Outro ponto forte do discurso foi o apelo à justiça climática e à redução das desigualdades. Lula afirmou que não será possível conter a crise ambiental “sem enfrentar as desigualdades dentro e entre as nações”. Segundo ele, “a justiça climática é aliada do combate à fome, à pobreza, ao racismo e às desigualdades de gênero”.>
Em tom simbólico, o presidente citou uma crença do povo Yanomami: “Cabe aos seres humanos sustentar o céu para que ele não caia sobre a Terra”. A metáfora, disse, deve inspirar os líderes a “abraçar um novo modelo de desenvolvimento mais justo”.>
Lula encerrou a fala com um agradecimento aos trabalhadores que ajudaram a construir as estruturas do evento e uma saudação à cidade anfitriã: “Muita gente não acreditava que fosse possível fazer uma COP na Amazônia. Queremos que o mundo venha ver o que é a Amazônia, o seu povo, a sua natureza e a sua culinária. Que esta COP empurre o céu para cima e amplie nossa visão para além do que já alcançamos”.>