Publicado em 16 de agosto de 2026 às 12:34
A médica oftalmologista Ana Caroline Coelho, irmã da empresária Giovanna Coelho, que morreu após a realização de cirurgias plásticas em Belém, criticou a postura da classe médica em relação a casos como o da irmã. O desabafo publicado nas redes sociais, foi depois de uma nota divulgada pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Secção Pará (SBCP-PA).>
Na nota, a entidade destaca que “eventos adversos relacionados à assistência médica devem ser objeto de apuração técnica, criteriosa e independente", e que “a ocorrência de um desfecho grave, por si só, não permite determinar sua causa nem estabelecer eventual responsabilidade profissional antes da análise dos elementos clínicos, periciais e circunstanciais envolvidos”.>
Segundo Ana Caroline, o posicionamento foi compartilhado por médicos cirurgiões de Belém e levanta questionamentos sobre a postura de certos profissionais da saúde, em relação à vida dos pacientes.>
“Em nenhum momento esses mesmos médicos se solidarizaram com a nossa situação. Acho que falta humanidade, na nossa classe, na classe médica. Falta se colocar no lugar do outro. E se fosse sua irmã?", questiona a médica no desabafo.>
“Eu entendo o impacto que a notícia do caso da Giovanna deve ter gerado nos consultórios de cirurgia plástica, com pacientes talvez até desmarcando atendimento, mas é de se esperar. Temos que começar a entender que o paciente é uma pessoa, ele tem uma família, ele tem uma vida pela frente e que você está responsável por aquela vida”, afirma sobre a repercussão do caso da irmã.>
Familiares de jovem cobram esclarecimentos>
Giovanna Coelho tinha 29 anos e morreu no dia 8 de agosto, após passar 4 procedimentos em um mesmo dia. A família, que busca por respostas, formalizou uma denúncia junto ao Conselho Regional de Medicina do Estado do Pará (CRM-PA), contra o médico cirurgião André Melo, responsável pelos procedimentos.>
Eles alegam que Giovanna teria ficado todo o pós-operatório sem suporte da equipe de André, que teria realizado 3 procedimentos cirúrgicos no mesmo dia e em cerca de apenas 4h. Ainda segundo a família, após os procedimentos, o médico teria deixado o local e não permanecido para o acompanhamento da paciente.>
Segundo a advogada da família, outras 50 denúncias contra o cirurgião André Melo, já foram registradas. Além disso, o anestesista César Collier, que participou do procedimento realizado em Giovanna, é o mesmo que atuou no caso de Bernardo Macedo. O jovem também morreu após ser submetido a uma cirurgia, em agosto de 2023.>
O caso também foi levado ao CRM, que, segundo a família, inocentou o cirurgião e o anestesista. Roberto afirma que a decisão considerou a ausência dos profissionais no acompanhamento do paciente, mas não reconheceu outras possíveis irregularidades apontadas pela família.>