Publicado em 3 de julho de 2026 às 11:16
Com o aumento do fluxo de veículos rumo às praias paraenses durante as férias de julho, um levantamento compartilhado por motoristas reacendeu o debate sobre a quantidade de lombadas e radares no trajeto entre Belém e Salinópolis, no nordeste do estado. Segundo os dados divulgados, o percurso até a praia do Atalaia conta com 64 lombadas e 41 radares.>
De acordo com o levantamento, somente na PA-124 haveria 51 lombadas. Motoristas relatam que algumas delas apresentam sinalização insuficiente e afirmam que a grande quantidade de redutores de velocidade torna a viagem mais lenta e cansativa, além de aumentar o desgaste dos veículos.>
O assunto ganhou repercussão nas redes sociais, onde usuários questionam se o número de equipamentos de fiscalização e controle de velocidade é compatível com a extensão da rodovia e se as medidas adotadas são, de fato, as mais adequadas para garantir a segurança viária.>
O Roma News conversou com o presidente do Instituto de Segurança Viária da Amazônia (ISVA), Rafael Silva Cristo. Para ele, as lombadas físicas devem ser utilizadas com critérios técnicos e não podem se tornar a principal solução para os problemas de trânsito.>
“Quando há utilização de lombadas em vias públicas, o Código de Trânsito é bem claro e restringe sua instalação. Muitas das lombadas existentes nesse percurso atendem a uma questão cultural. Em alguns casos, são construídas próximas a comércios para forçar a redução da velocidade dos veículos. Poucas estão instaladas exclusivamente com o objetivo de reduzir a violência no trânsito. O ideal seria substituir as lombadas físicas pelas eletrônicas”, afirmou Rafael.>
De acordo com o Conselho Nacional de Trânsito, o Contran, lombadas só podem ser instaladas após comprovação de alto índice de acidentes ou fluxo intenso de pedestres, já que nas rodovias a prioridade é a fluidez.>
O especialista reforça as regras e explica que a instalação de lombadas e radares deve seguir normas e resoluções específicas, levando em consideração fatores que vão além do histórico de acidentes, como o volume de tráfego e características da via.>
“Geralmente esses dispositivos são implantados em locais com grande número de acidentes. Mas, em alguns pontos, eles acabam sendo utilizados por estratégia comercial. É preciso um estudo mais aprofundado para identificar quais são realmente necessários”, destacou Rafael.>
O presidente do ISVA também chama atenção para uma característica presente em diversas rodovias da Amazônia, onde questões econômicas e culturais influenciam diretamente a ocupação das margens das estradas.>
“Na região amazônica existem particularidades territoriais e culturais. Muitas vezes surgem lombadas de forma clandestina e, ao redor delas, desenvolve-se uma atividade comercial voltada à subsistência, como venda de milho, água de coco ou camarão. É uma realidade que precisa ser considerada quando se discute mobilidade e segurança viária”, explicou.>
Enquanto motoristas defendem maior fluidez no deslocamento para os balneários, especialistas reforçam que qualquer mudança na infraestrutura viária deve ser baseada em estudos técnicos capazes de equilibrar segurança, mobilidade e as características locais das rodovias paraenses>