MP investiga suposto esquema milionário de fraudes no Banco do Povo de Parauapebas

Parecer técnico aponta possível desvio de mais de R$ 2,4 milhões em empréstimos concedidos a servidores, familiares e empresas suspeitas de fachada.

Publicado em 28 de maio de 2026 às 16:21

MP investiga suposto esquema milionário de fraudes no Banco do Povo de Parauapebas
MP investiga suposto esquema milionário de fraudes no Banco do Povo de Parauapebas Crédito: Ascom/PMP

Um parecer técnico do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) revelou detalhes de uma investigação sobre um suposto esquema de fraudes na concessão de empréstimos pelo Banco do Povo de Parauapebas, no sudeste paraense. Segundo a Nota Técnica nº 29/2026, elaborada pelo Grupo de Apoio Técnico Interdisciplinar (GATI) do Eixo Contábil, o prejuízo aos cofres públicos pode ultrapassar R$ 2,4 milhões em valores atualizados.

A apuração teve início após denúncia apresentada pela então vereadora Joelma de Moura Leite, que exercia mandato na Câmara Municipal à época das supostas irregularidades, registradas em 2020, durante a gestão do ex-prefeito Darci Lermen.

De acordo com o relatório, o esquema consistiria na liberação indevida de empréstimos de até R$ 20 mil por meio do Banco do Povo. As investigações apontam indícios de que servidores ligados à própria instituição teriam participado da autorização dos créditos em benefício próprio e de familiares.

Entre os investigados estariam ocupantes de cargos de gerência e coordenação-geral, suspeitos de aprovar operações financeiras para mães, irmãs e pessoas próximas, o que, segundo o Ministério Público, afrontaria princípios da administração pública, como moralidade e impessoalidade.

O parecer técnico também detalha o suposto “modus operandi” utilizado para viabilizar as fraudes. Conforme o documento, cadastros de Microempreendedor Individual (MEI) eram abertos rapidamente para permitir acesso ao valor máximo do crédito empresarial. Em alguns casos, os contratos dos empréstimos teriam sido assinados antes mesmo da formalização das empresas junto à Receita Federal.

Ainda segundo a investigação, os recursos eram transferidos diretamente para contas de pessoas físicas, dificultando o rastreamento do dinheiro.

Outro ponto considerado grave pelo MPPA foi a identificação de empréstimos concedidos a empresas ligadas a pessoas que ocupavam cargos de secretário e secretário-adjunto de desenvolvimento no município. Além disso, a auditoria constatou a liberação de crédito para um CNPJ utilizado exclusivamente para movimentação financeira de campanha eleitoral nas eleições de 2020.

O Ministério Público também apontou que empresas sediadas fora de Parauapebas receberam recursos do programa, em desacordo com as exigências previstas na legislação municipal.