MPPA recorre e tenta restabelecer prisão de médico acusado de tentar matar ex-namorada em Belém

Felipe Almeida Nunes, que responde por tentativa de feminicídio, está em liberdade desde maio sob medidas cautelares; Ministério Público defende retorno da prisão preventiva.

Publicado em 25 de junho de 2026 às 15:05

MP recorre e tenta restabelecer prisão de médico acusado de tentar matar ex-namorada em Belém
MP recorre e tenta restabelecer prisão de médico acusado de tentar matar ex-namorada em Belém Crédito: Reprodução/Redes Sociais

O Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) ingressou com recurso para tentar reverter a decisão judicial que colocou em liberdade o médico Felipe Almeida Nunes, acusado de tentativa de feminicídio contra a ex-namorada em Belém. A medida busca restabelecer a prisão preventiva do réu, que deixou o sistema prisional no último dia 29 de maio após a expedição de alvará de soltura.

Preso desde outubro de 2025, Felipe passou a cumprir medidas cautelares determinadas pela Justiça, entre elas o monitoramento por tornozeleira eletrônica e a proibição de manter contato ou se aproximar da vítima. Para o Ministério Público, entretanto, a gravidade do caso justifica a manutenção da prisão preventiva.

A decisão de soltura chamou atenção porque, anteriormente, a custódia do médico havia sido mantida pelo Tribunal de Justiça do Pará (TJPA). Além disso, um pedido de liminar apresentado pela defesa ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) também havia sido negado.

O caso ocorreu na rua João Balbi, no bairro de Nazaré, e ganhou repercussão após a divulgação de imagens que mostrariam parte das agressões. De acordo com a denúncia apresentada pelo MPPA, Felipe Almeida Nunes teria arrastado a então companheira por aproximadamente 250 metros com o carro após uma discussão. As investigações apontam que a vítima tentou impedir que ele dirigisse após o consumo de bebidas alcoólicas.

Segundo o processo, a mulher sofreu diversas lesões, incluindo fraturas dentárias, queimaduras e escoriações pelo corpo. Em novembro de 2025, a Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público e tornou o médico réu por tentativa de feminicídio.

O acusado também responde a outro processo relacionado à violência doméstica. Além disso, já foi condenado em primeira instância por divulgação de conteúdo íntimo sem consentimento.

A audiência de instrução realizada nesta semana não foi concluída devido à ausência de laudos periciais solicitados pela defesa, que ainda aguardam emissão pelo Instituto Médico Legal (IML). Em razão disso, a continuidade da fase de instrução foi remarcada para o dia 10 de setembro de 2026.

A defesa sustenta que os exames periciais são essenciais para o esclarecimento dos fatos e para garantir o pleno exercício do direito de defesa. Os advogados também argumentam que Felipe fazia uso de medicamentos para controle emocional e que não se recordaria do ocorrido. A defesa afirma ainda que pretende levar a discussão ao STJ.