Publicado em 23 de maio de 2026 às 08:38
O Pará apresenta um dos cenários mais graves de violência sexual contra crianças e adolescentes no Brasil. O estado registrou, em 2023, a taxa de 174,8 casos de estupro e estupro de vulnerável por 100 mil habitantes na faixa etária de 0 a 19 anos.>
O Pará, portanto, tem índice cerca de 50% acima da média nacional (116,4) e 24% acima da média da própria Amazônia Legal (141,3). Os dados são do relatório “Violência contra crianças e adolescentes na Amazônia”, lançado pelo UNICEF em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).>
Alerta do UNICEF>
O UNICEF alerta para índices alarmantes de violência sexual contra crianças na Amazônia Legal. A região, que inclui nove estados, registrou mais de 31 mil casos de estupro e estupro de vulnerável contra crianças e adolescentes entre 2021 e 2023. Em 2023, a taxa regional chegou a 141,3 casos por 100 mil habitantes — 21,4% acima da média nacional.>
Seis dos dez estados com as maiores taxas do país estão na Amazônia Legal. O Pará ocupa a 4ª posição nesse ranking regional, atrás apenas de Rondônia (234,2), Roraima (228,7) e Mato Grosso (188,0).>
Fatores agravantes no Pará>
Especialistas apontam que a vastidão territorial, o elevado número de comunidades ribeirinhas e indígenas isoladas, o garimpo ilegal, a exploração madeireira e as redes de tráfico contribuem para a alta vulnerabilidade. A subnotificação ainda é um problema grave: muitos casos não chegam ao conhecimento das autoridades devido ao medo, à falta de acesso a serviços e à distância dos centros urbanos.>
Meninas entre 10 e 14 anos são as principais vítimas, e a maioria dos abusos ocorre dentro da própria residência ou no entorno familiar e comunitário.>
Dia Nacional de Combate ao Abuso>
Os dados foram reforçados no Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes (18 de maio). O UNICEF e organizações parceiras reforçam a necessidade de fortalecer a rede de proteção, ampliar o acesso ao Disque 100 e investir em políticas públicas efetivas de prevenção, especialmente na região amazônica.>