PF investiga irmãos políticos após apreensão de R$ 2,5 milhões em Belém

Investigação apura possível desvio de recursos públicos da educação no Pará para financiamento irregular de campanhas de João Coelho e Adriano Coelho

Publicado em 16 de setembro de 2026 às 23:18

Vereador João Coelho (PDT) e Deputado Estadual Adriano Coelho (PDT).
Vereador João Coelho (PDT) e Deputado Estadual Adriano Coelho (PDT). Crédito: Crédito: Reprodução/ Instagram @ver.joaocoelho

A Polícia Federal investiga a possível origem de R$ 2,5 milhões em espécie apreendidos em Belém, que, segundo os elementos reunidos na apuração, podem ter sido desviados de recursos públicos destinados à educação no Pará e posteriormente utilizados para financiar de forma irregular campanhas eleitorais. Segundo apurou o Roma News, com base em documentos da investigação, o dinheiro foi retirado de uma agência do Banpará nesta quarta-feira (16) e duas pessoas foram presas em flagrante durante a operação.

A investigação cita os irmãos João Paulo Albuquerque Coelho, conhecido como João Coelho, vereador de Belém e candidato a deputado estadual, e Marco Adriano Albuquerque Coelho, o Adriano Coelho, deputado estadual e candidato a deputado federal. Os dois não estavam no local da apreensão e não foram presos.

Segundo os dados levantados pela PF e pela Controladoria-Geral da União (CGU), uma das linhas de investigação envolve empresas ligadas à família que mantêm contratos com a Secretaria de Estado de Educação (Seduc). A empresa LASTRO Projetos e Construção Civil Ltda., administrada por Diana Helena Morais Albuquerque Coelho, mãe dos dois políticos, faturou R$ 27,3 milhões com a Seduc entre 2016 e 2026 em serviços de manutenção predial. Em 10 de setembro, seis dias antes da apreensão, a empresa recebeu R$ 4 milhões em recursos provenientes de precatórios do Fundef.

O pai dos parlamentares, Marco Antônio de Sousa Coelho, administra a MARCO COELHO Serviços Ltda., que acumulou R$ 144,2 milhões em pagamentos da Seduc entre 2015 e 2026 por contratos de prestação de serviços de portaria em escolas públicas. A investigação também aponta que Diana e Marco Antônio fizeram doações oficiais para campanhas de João Coelho nas eleições de 2020 e 2024.

A apuração também alcança a irmã dos políticos, Adryane Albuquerque Coelho. Ela aparece como sócia da empresa J R Limpeza e Conservação Ltda. desde 2019. Um dos homens presos pela PF, João Carlos Ruy Seco Gemaque, consta como funcionário formal da empresa. O próprio João Coelho também integrou o quadro societário da J R Limpeza e Conservação entre setembro de 2018 e março de 2019.

A relação empresarial entre a irmã dos políticos e um dos presos faz parte do conjunto de vínculos societários e empregatícios levantados na investigação.

A apreensão ocorreu após agentes acompanharem a movimentação de uma caminhonete Ford Ranger registrada em nome de Marco Antônio. O veículo esteve em uma agência do Banpará, onde dois homens foram vistos deixando o local com uma caixa de papelão e uma mochila. Dentro dos volumes estavam os R$ 2,5 milhões.

Na mochila, a PF encontrou ainda documentos relacionados à campanha de Marco Adriano Albuquerque Coelho. Entre os materiais estavam autorizações de transferências bancárias de R$ 79,2 mil para uma gráfica e uma empresa de táxi aéreo.

Foram presos João Carlos Ruy Seco Gemaque, apontado como responsável direto pelo saque, e Rubens Lima Teixeira, que fazia a segurança armada. Além do dinheiro e dos documentos eleitorais, a PF apreendeu uma pistola calibre .40, três carregadores municiados, celulares e a caminhonete utilizada no transporte do dinheiro.

A investigação apura possíveis crimes de lavagem de dinheiro, corrupção eleitoral, associação criminosa e peculato, além de resistência e porte ilegal de arma de fogo. A origem exata dos R$ 2,5 milhões e o caminho percorrido pelos recursos ainda são investigados pela Polícia Federal.