PF prende no Pará suspeita de liderar esquema internacional de tráfico de mulheres para exploração sexual em Israel

Investigada é apontada como responsável pelo recrutamento de brasileiras no exterior por meio das redes sociais; operação também cumpriu mandados e determinou bloqueio de até R$ 10 milhões.

Publicado em 5 de novembro de 2026 às 21:14

(De acordo com a Polícia Federal, o grupo utilizava redes sociais e aplicativos de mensagens para atrair mulheres com falsas ou enganosas oportunidades de trabalho no exterior.)
(De acordo com a Polícia Federal, o grupo utilizava redes sociais e aplicativos de mensagens para atrair mulheres com falsas ou enganosas oportunidades de trabalho no exterior.) Crédito: Ascom PF

Uma mulher suspeita de comandar uma organização criminosa internacional envolvida no recrutamento e na exploração sexual de mulheres brasileiras em Israel foi presa pela Polícia Federal, na quarta-feira (4), em Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém. A prisão ocorreu durante a Operação Dirty Dancing, que investiga um esquema de tráfico internacional de pessoas.

De acordo com a Polícia Federal, o grupo utilizava redes sociais e aplicativos de mensagens para atrair mulheres com falsas ou enganosas oportunidades de trabalho no exterior. Depois do recrutamento, os integrantes organizavam as viagens, custeavam passagens e hospedagens e providenciavam anúncios em plataformas especializadas para agendar encontros com clientes.

As investigações apontam que a atuação da organização não se restringia a Israel. Há indícios de que mulheres brasileiras também tenham sido encaminhadas para exploração sexual em outros países.

Investigação começou após informações de autoridades israelenses

O inquérito teve início em fevereiro de 2025, depois que a Polícia Federal recebeu informações compartilhadas pelas autoridades de Israel, que já investigavam a atuação do grupo criminoso.

Durante a operação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão no Pará e em Goiás. A Justiça Federal também autorizou o bloqueio e o sequestro de bens e valores dos investigados até o limite de R$ 10 milhões. Duas empresas relacionadas à principal suspeita tiveram as atividades suspensas.

Esquema envolvia envio clandestino de dinheiro

Outro aspecto identificado pelos investigadores foi a movimentação dos recursos obtidos com a exploração sexual. Segundo a apuração, o dinheiro era recebido no exterior e encaminhado ao Brasil clandestinamente, com a participação de brasileiros que viviam fora do país.

A suspeita é de que o grupo utilizava mecanismos ilegais de transferência de valores para dificultar o rastreamento das operações financeiras.

Além da prisão preventiva da mulher apontada como líder do esquema, outros dois investigados foram submetidos a medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica, apreensão de passaportes e proibição de deixar o território nacional.

Os suspeitos poderão responder por organização criminosa, tráfico internacional de pessoas, favorecimento da prostituição, rufianismo, promoção de migração irregular e operação ilegal de câmbio.

A Polícia Federal continua as investigações para identificar outros envolvidos, localizar possíveis vítimas e dimensionar a extensão da rede criminosa.