PIB do Pará alcança R$ 69,7 bilhões no 1º trimestre de 2026, com destaque para serviços e agropecuária

Boletim da Fapespa aponta estabilidade da economia paraense, impulsionada pelo crescimento dos setores de serviços e agropecuária, apesar da retração da indústria mineral.

Publicado em 29 de junho de 2026 às 16:44

(PIB do Pará alcança R$ 69,7 bilhões no 1º trimestre de 2026, com destaque para serviços e agropecuária)
(PIB do Pará alcança R$ 69,7 bilhões no 1º trimestre de 2026, com destaque para serviços e agropecuária) Crédito: Wellyngton Coelho/Agência Pará 

O Produto Interno Bruto (PIB) do Pará alcançou R$ 69,7 bilhões no primeiro trimestre de 2026, mantendo participação estável de 2,1% na economia brasileira, cujo PIB somou R$ 3,25 trilhões no período. Os dados fazem parte do Boletim do PIB Trimestral, divulgado pela Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa).

O levantamento aponta que os setores de serviços e agropecuária foram os principais responsáveis por sustentar a estabilidade da economia paraense nos três primeiros meses do ano. O setor de serviços liderou em movimentação financeira, com R$ 37,4 bilhões, enquanto a agropecuária respondeu por R$ 9,9 bilhões e representou 4,3% de toda a atividade agropecuária nacional. Já a indústria extrativa mineral continuou exercendo forte influência na economia estadual, sendo responsável por 7,4% da produção brasileira do segmento.

Na comparação com o quarto trimestre de 2025, o PIB do Pará registrou crescimento de 0,34%, resultado inferior ao avanço de 1,10% observado na economia brasileira. Segundo a Fapespa, o desempenho mais modesto foi influenciado, principalmente, pela retração da atividade industrial.

Nesse comparativo, a agropecuária apresentou crescimento de 6,24%, impulsionada pelo avanço da pecuária e pela valorização dos preços do setor. Os serviços também tiveram desempenho positivo, com alta de 2,28%, superando a média nacional de 0,48%. Em contrapartida, a indústria recuou 3,09%, refletindo a redução operacional e dos estoques na extração de minério de ferro.

Já na comparação com o primeiro trimestre de 2025, a economia paraense registrou retração de 0,84%, enquanto o Brasil cresceu 1,84%. O resultado foi impactado pela forte queda de 13,94% na indústria, especialmente na atividade de extração mineral.

Mesmo diante desse cenário, o setor de serviços manteve crescimento expressivo de 4,77%, acima da média nacional de 2,14%. Entre as atividades que mais contribuíram para esse desempenho estão o mercado imobiliário, com alta de 19,28%, seguido por outros serviços (6,05%) e informação e comunicação (5,10%). O comércio e os serviços de manutenção também avançaram, com crescimento de 1,14%.

Na agropecuária, embora o resultado geral tenha sido de leve retração de 0,03%, em razão das irregularidades climáticas que afetaram parte da produção agrícola, culturas como mandioca, banana e cacau registraram crescimento de 3%, 6,1% e 5,5%, respectivamente. A pecuária foi o principal destaque, com expansão de 20%, impulsionada pelo aumento das exportações de carne bovina e pela valorização do boi gordo.

O desempenho do setor de serviços também refletiu na geração de empregos. Conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o Pará encerrou o primeiro trimestre de 2026 com saldo positivo de 7.036 novos postos formais de trabalho.

Para a diretora de Estatística e de Tecnologia e Gestão da Informação da Fapespa, Atyliana Dias, os resultados demonstram a capacidade de recuperação da economia estadual. Segundo ela, mesmo com a retração da indústria mineral, os setores de serviços e agropecuária sustentaram a geração de emprego, renda e atividade econômica.

O presidente da Fapespa, Marcel Botelho, destacou que um dos principais indicadores do estudo é a manutenção da estabilidade e do crescimento sustentado do PIB estadual ao longo dos últimos anos, resultado que, segundo ele, reflete as políticas estruturantes desenvolvidas pelo Governo do Estado.