Publicado em 29 de maio de 2026 às 17:02
Dois policiais militares reformados foram condenados pelo homicídio do auxiliar de produção Rodrigo Oliveira Reis, de 25 anos, durante julgamento realizado no Tribunal do Júri da Capital, em Belém. A decisão, tomada por maioria dos jurados, condenou José Augusto Santos Gomes e Pedro Josimar Nogueira da Silva a nove anos de reclusão, com início do cumprimento da pena em regime fechado.>
O julgamento foi presidido pelo juiz Cláudio Hernandes Silva Lima, titular do 3º Tribunal do Júri de Belém. A acusação foi conduzida pelo promotor de Justiça Emério Dias Mendes, do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), que teve parcialmente acolhida a tese apresentada em plenário.>
Os dois condenados respondiam ao processo em liberdade. Após a sentença, foi expedido mandado de prisão para o início imediato da execução provisória da pena. Por estarem na condição de militares reformados, não houve decretação da perda do cargo, com base na jurisprudência aplicada ao caso.>
Durante o julgamento, o Ministério Público sustentou que os acusados apresentaram versões diferentes desde a fase investigativa. Embora os depoimentos dos policiais fossem semelhantes entre si e compatíveis com o boletim de ocorrência, a Promotoria apontou contradições em laudos periciais.>
Segundo o MPPA, o exame de resíduos de disparo realizado nas mãos da vítima teve resultado negativo para detecção de chumbo, o que enfraqueceria a alegação de que Rodrigo teria reagido ou oferecido ameaça aos agentes.>
O médico legista José Arimatéa foi ouvido durante o júri e explicou a trajetória dos disparos, afirmando que os dois tiros que atingiram a vítima foram letais. Já a perita de balística confirmou que o exame nas mãos de Rodrigo não identificou vestígios de disparo.>
De acordo com a denúncia, o crime ocorreu na madrugada do dia 3 de janeiro de 2015. Uma guarnição da Rotan trafegava pela rodovia Arthur Bernardes quando entrou na Passagem Santo Afonso e encontrou a vítima. Os policiais alegaram ter dado voz de parada e afirmaram que Rodrigo não obedeceu à ordem, momento em que efetuaram os disparos que atingiram o tórax e o abdômen do auxiliar de produção. Ele chegou a ser socorrido, mas deu entrada no hospital já sem vida.>
Um dos condenados, Pedro Josimar Nogueira da Silva, também possui condenação em primeira instância na Justiça Militar por outro caso de grande repercussão no Pará: a morte de 11 pessoas em um bar no bairro do Guamá, em 2019, episódio que ficou conhecido como “chacina do Guamá”. Após quase um ano preso, ele obteve, em 2020, o direito de recorrer em liberdade.>