Poeira e tremores levam moradores de Canaã dos Carajás a denunciar a Vale ao MPF

Vizinhos de complexo minerador na Vila Bom Jesus relatam rachaduras em casas, problemas de saúde e restrições para pescar.

Publicado em 17 de julho de 2026 às 09:49

Poeira e tremores levam moradores de Canaã dos Carajás a denunciar a Vale ao MPF
Poeira e tremores levam moradores de Canaã dos Carajás a denunciar a Vale ao MPF Crédito: Reprodução

Viver ao lado de uma das maiores operações de extração de minério do país tem sido um desafio diário para as famílias da Vila Bom Jesus, em Canaã dos Carajás, no sudeste do Pará. Cansados de conviver com o barulho, a terra tremendo e o ar pesado, os moradores decidiram denunciar formalmente os impactos das atividades da Vale S.A. ao Ministério Público Federal (MPF). O órgão, que já investiga a situação, realizou vistorias na área do Projeto Sossego para ouvir de perto quem sente na pele as consequências da vizinhança com a mineradora.

Os relatos colhidos durante a inspeção desenham um cenário preocupante para a comunidade. Segundo os residentes, as fortes explosões provocadas pela atividade mineradora geram tremores constantes que estão abrindo rachaduras nas paredes das casas. Para piorar, a atividade levanta imensas nuvens de poeira que cobrem a região, destruindo as plantações locais e gerando um aumento visível de problemas respiratórios e outras doenças crônicas na população.

A crise também atinge o Rio Parauapebas, essencial para a subsistência local. Os moradores apontam que o despejo de rejeitos tem secado o leito e alterado a fauna do rio, provocando dores de estômago e infecções em quem consome a água. Além disso, pescadores denunciam que estão sendo impedidos de trabalhar, sofrendo abordagens intimidadoras de seguranças privados da mineradora, que chegam a confiscar barcos e equipamentos.

Em resposta às denúncias, a Vale declarou que realiza um controle rigoroso de suas operações, monitorando a qualidade do ar, da água, além dos níveis de ruído e vibração na região, e que compartilha esses dados regularmente com os órgãos ambientais.

Para tirar a prova real, o MPF decidiu fechar o cerco e aprofundar as investigações. Uma parceria firmada com a Universidade Federal do Pará (UFPA) vai colocar engenheiros sanitários e biólogos para analisar a fundo a qualidade da água e do solo na Vila Bom Jesus.

Ao mesmo tempo, antropólogos da instituição vão produzir um estudo para documentar todas as transformações sociais e perdas econômicas sofridas pela comunidade desde a chegada da mina, servindo de base para possíveis punições e reparações judiciais.

A equipe de Reportagem do Roma News entrou em contato com a Vale para apurar quais medidas estão sendo tomadas pela empresa para minimizar os danos dos moradores, mas até o momento não obteve retorno.