Praças de Belém viram alvo de cobranças da população por transparência durante obras da prefeitura

Prefeitura anuncia nova divisão para cuidar de parques e jardins enquanto moradores questionam intervenções e pedem participação nas decisões sobre espaços públicos

Publicado em 18 de agosto de 2026 às 12:12

Praças de Belém viram alvo de cobranças da população por transparência durante obras da prefeitura
Praças de Belém viram alvo de cobranças da população por transparência durante obras da prefeitura Crédito: Divulgação/Agência Belém

As intervenções em diferentes praças de Belém colocaram a relação entre poder público, transparência e participação popular novamente no centro do debate. Após críticas relacionadas às obras e mudanças em praças da capital, a Prefeitura de Belém passou a divulgar mais informações sobre as ações e anunciou a criação de uma divisão específica para cuidar de parques, praças e jardins do município.

Um dos casos que gerou maior repercussão foi o da Praça Batista Campos, onde os lagos passaram por uma operação que incluiu a retirada dos peixes e a suspensão temporária do lago. A movimentação provocou questionamentos de moradores, principalmente pela falta de informações iniciais sobre o motivo da intervenção.

Após a repercussão, a prefeitura passou a explicar os procedimentos adotados no local. O prefeito Igor Normando também se manifestou sobre a situação e apresentou a criação de uma estrutura voltada especificamente à manutenção dos espaços verdes e de convivência da cidade.

A proposta pretende concentrar ações de conservação, recuperação e manutenção de parques, praças e jardins. Para moradores e usuários desses locais, no entanto, o desafio não está apenas em executar obras, mas também em comunicar previamente o que será feito e abrir espaço para a participação da comunidade.

Praça da República passa por revitalização

Outro ponto tradicional de Belém que recebe intervenções é a Praça da República. O espaço vinha sendo alvo de reclamações relacionadas à iluminação, conservação e segurança.

Segundo a Prefeitura de Belém, cerca de 70% dos serviços previstos já foram executados. As intervenções são realizadas preferencialmente no período da noite, para reduzir os impactos sobre a circulação de pessoas no local.

As intervenções incluem recuperação das pedras portuguesas, limpeza e lavagem do piso, pintura de coretos e monumentos, reparos em bancos, manutenção de canaletas e outros serviços de conservação.

A Guarda Municipal também participa das ações, com reforço do patrulhamento no espaço.

Praça Brasil também recebe obras

Na Praça Brasil, conhecida popularmente como Praça do Índio, os trabalhos de requalificação chegaram a aproximadamente 60% de execução, conforme informações da administração municipal.

O projeto prevê a transformação do espaço em uma área voltada ao lazer, esporte, convivência e alimentação. O investimento informado pela prefeitura é de cerca de R$ 2 milhões em recursos próprios.

A proposta inclui a substituição de estruturas desgastadas e a reorganização de diferentes áreas, com a promessa de preservar a arborização existente.

Praça Dorothy Stang 

É na Praça Dorothy Stang, no bairro da Sacramenta,que as queixas ganharam repercussão após a decisão da implantação de uma policlínica no local.

O espaço, inaugurado em 2012, passou por reforma em 2024 e recebeu um Espaço Pet, além de dezenas de mudas de ipês. Ao longo dos anos, a praça também se tornou ponto de encontro para atividades esportivas, culturais, sociais e ambientais, além de feiras e ações comunitárias.

A área também ganhou destaque na cena cultural e no movimento hip hop de Belém.

Agora, parte do espaço deverá ser utilizada para a construção de um Super Postão da Saúde, que reunirá uma Policlínica Municipal e o futuro Postão da Família da Sacramenta.

A ordem de serviço foi assinada pelo prefeito Igor Normando no fim de julho. A obra faz parte do plano de ampliação da rede municipal de saúde e terá investimento superior a R$17 milhões, com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do Ministério da Saúde. A previsão é de que o equipamento seja concluído em novembro de 2027.

O principal questionamento dos moradores não é contra à ampliação dos serviços de saúde. A discussão está relacionada ao local escolhido para receber a nova estrutura.

A insatisfação levou à criação do Movimento em Defesa da Praça Dorothy Stang, que passou a mobilizar moradores por meio de petições e abaixo-assinados.

O grupo defende que a construção da unidade de saúde seja discutida com a comunidade e questiona se existem outros terrenos, imóveis públicos ou áreas que poderiam receber a policlínica sem comprometer a praça.

No último dia 8 deste mês, moradores participaram de uma palestra e de um debate sobre o futuro do espaço, com a participação do professor Bruno Soeiro Vieira, da Universidade Federal do Pará (UFPA).

A reivindicação central é que haja transparência e participação popular antes do avanço definitivo da intervenção.

A praça não é apenas uma área disponível para receber uma nova construção. Ao longo dos anos, o espaço passou a fazer parte da rotina da comunidade e ganhou diferentes usos. Até mesmo o cinema paraense já registrou essa relação, com aparições da praça no filme Vatapá ou Maniçoba?, dirigido por Fernando Segtowick.

No caso da Batista Campos, as explicações vieram depois da repercussão sobre os lagos. Na Dorothy Stang, os moradores querem que a discussão aconteça antes de uma mudança definitiva.

O desafio para a Prefeitura de Belém é encontrar um equilíbrio entre ampliar serviços públicos e preservar espaços de convivência da população.