Preço da carne bovina segue em alta e pesa no bolso do paraense, aponta Dieese

Levantamento do DIEESE/PA aponta alta acumulada de cerca de 4% no ano e mostra que o trabalhador precisa comprometer mais de 13% do salário mínimo para comprar o produto em Belém.

Publicado em 21 de janeiro de 2026 às 09:45

Preço da carne bovina segue em alta e pesa no bolso do paraense, aponta Dieese
Preço da carne bovina segue em alta e pesa no bolso do paraense, aponta Dieese Crédito: Valter Campanato/Agência Brasil

Ao longo de 2025, o preço da carne bovina permaneceu em patamar elevado no Pará e no Brasil, resultado de fatores estruturais e conjunturais que pressionaram toda a cadeia produtiva. Entre os principais motivos estão os custos de produção ainda altos, oscilações na oferta de gado, o ritmo das exportações e a recomposição de margens no setor. No caso paraense, essas pressões são intensificadas pelos custos logísticos e de distribuição, com impacto direto no orçamento das famílias e no valor da alimentação básica.

Dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos no Pará (DIEESE/PA) mostram que o custo da Cesta Básica de Alimentos comercializada em Belém voltou a subir e alcançou, em média, R$ 666,57. Em dezembro de 2025, vários itens da cesta registraram reajustes, com destaque para a carne bovina, um dos produtos de maior peso no consumo alimentar das famílias paraenses.

O DIEESE/PA realiza levantamento semanal dos preços médios do quilo da carne bovina, considerando cortes amplamente consumidos pela população, como coxão mole (chã), cabeça de lombo e paulista, comercializados em feiras livres, mercados, açougues e supermercados da capital. A trajetória recente indica oscilações ao longo do período analisado: em dezembro de 2024, o quilo era vendido, em média, a R$ 40,63; em janeiro de 2025, subiu para R$ 44,21; em novembro de 2025, houve recuo para R$ 41,73; e, em dezembro de 2025, voltou a subir, alcançando R$ 42,24.

Com base nesses dados, o balanço comparativo do DIEESE/PA aponta que, em dezembro de 2025, o preço da carne bovina teve reajuste de 1,22% em relação a novembro. No acumulado do ano, apesar de alguns períodos de retração, o produto encerrou 2025 com alta aproximada de 3,96%, mantendo-se em nível elevado.

O impacto no poder de compra do trabalhador é significativo. Considerando a diária de trabalho calculada a partir do salário mínimo vigente de R$ 1.621,00, equivalente a cerca de R$ 54,00 por dia, o rendimento não é suficiente para a compra de 2 quilos de carne bovina ao preço médio de R$ 42,24 por quilo. Em dezembro, para adquirir aproximadamente 4,5 quilos do produto, o trabalhador paraense precisou desembolsar cerca de R$ 190,08.

Para arcar com esse consumo, foram necessárias 27 horas e 33 minutos de trabalho, dentro de uma jornada mensal legal de 220 horas, o que representou o comprometimento de aproximadamente 13,54% do salário mínimo apenas com a compra de carne bovina. O cenário de preços elevados, com possibilidade de novas altas, segue comprometendo de forma expressiva o poder de compra dos trabalhadores do Pará, especialmente daqueles que dependem exclusivamente do salário mínimo para sustentar suas famílias.