Publicado em 16 de julho de 2026 às 18:48
O bolso do consumidor paraense continua sentindo o peso da alta dos alimentos. Um levantamento divulgado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/PA) mostra que os preços de hortaliças, verduras e legumes vendidos em feiras e supermercados de Belém registraram aumentos expressivos no primeiro semestre de 2026, com alguns produtos acumulando altas superiores a 60%.>
Entre os maiores aumentos do período está a cenoura, que ficou 75,52% mais cara entre janeiro e junho. Em seguida aparecem a cebola (56,74%), o repolho (52,98%), a batata lavada (49,20%) e a beterraba (48,17%). Também tiveram altas expressivas o maxixe (36,30%), o quiabo (34,69%), o jambu (31,43%) e o pimentão verde (27,15%).>
Somente na comparação entre maio e junho, a batata lavada liderou os reajustes, com alta de 16,96%. Também subiram de preço o pimentão verde (13,10%), a abóbora (7,36%), a cebola (7,30%), a batata-doce rosa (6,41%), o repolho (5,96%) e a cenoura (5,83%).>
Segundo o Dieese, o aumento dos preços está relacionado principalmente às fortes chuvas registradas no Pará durante o primeiro semestre, que afetaram a produção agrícola, dificultaram a colheita e reduziram a oferta de diversos produtos. Outro fator é a dependência do estado de alimentos vindos de outras regiões do país, como cebola, batata, cenoura e beterraba, tornando o mercado local mais vulnerável às oscilações de produção e aos custos de transporte.>
O estudo também aponta que, apesar da recente redução no preço do diesel, o frete continua elevado, influenciando diretamente o valor final dos alimentos vendidos em feiras, mercados e supermercados.>
Além disso, o Dieese alerta para a possibilidade de novos aumentos nos próximos meses. A previsão de atuação do fenômeno El Niño no segundo semestre pode provocar redução das chuvas, temperaturas mais altas e impactos na produção agrícola, reduzindo ainda mais a oferta de hortaliças e pressionando os preços.>
De acordo com o levantamento, o cenário reforça a pressão sobre o custo de vida das famílias paraenses, já que grande parte dos alimentos pesquisados apresentou reajustes muito acima da inflação registrada no período.>