FIFA abre investigação contra a Argentina por faixa sobre as Malvinas

Jogadores da Albiceleste exibiram mensagem durante a comemoração da vaga na final, e entidade avalia possível violação das regras que proíbem manifestações políticas.

Publicado em 16 de julho de 2026 às 18:56

(O incidente ocorreu logo após o apito final no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta. Enquanto a Albiceleste celebrava a classificação para a final com torcedores, o meia Giovani Lo Celso e outros jogadores.)
(O incidente ocorreu logo após o apito final no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta. Enquanto a Albiceleste celebrava a classificação para a final com torcedores, o meia Giovani Lo Celso e outros jogadores.) Crédito: Redes Sociais/Instagram 

A FIFA instaurou um processo disciplinar contra a Seleção Argentina após jogadores exibirem uma faixa com a mensagem “As Malvinas são Argentinas” durante as comemorações da vitória por 2 a 1 sobre a Inglaterra, na semifinal da Copa do Mundo de 2026, após a partida realizada nessa quarta-feira (15).

O incidente ocorreu logo após o apito final no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta. Enquanto a Albiceleste celebrava a classificação para a final com torcedores, o meia Giovani Lo Celso e outros jogadores, como Lisandro Martínez e Cristian “Cuti” Romero, ergueram a faixa branca com letras pretas entregue das arquibancadas. A imagem rapidamente se espalhou pelas redes sociais e gerou repercussão internacional.

Proibição prévia ignorada

Antes do confronto, a FIFA havia emitido comunicado expresso proibindo qualquer bandeira, cartaz ou mensagem alusiva à Guerra das Malvinas no estádio. A entidade reforçou as medidas de segurança em conjunto com autoridades americanas e britânicas, temendo provocações políticas. A proibição valia inclusive para torcedores, que tiveram itens relacionados ao tema retidos nos acessos.

Apesar da restrição, a faixa acabou entrando em campo durante as celebrações, configurando, segundo a FIFA, possível violação ao Código Disciplinar da entidade, que veda manifestações de caráter político, ideológico ou provocativo em competições oficiais.

Reações

O governo britânico não tardou em se manifestar. O porta-voz do primeiro-ministro Keir Starmer classificou o ato como inadequado e reforçou que “as Ilhas Falklands são britânicas” e que o direito à autodeterminação dos ilhéus é inegociável. O secretário de Negócios do Reino Unido, Peter Kyle, chamou o gesto de “totalmente inapropriado” e cobrou investigação rigorosa da FIFA.

Do lado argentino, o presidente Javier Milei defendeu os jogadores, afirmando que o ato reflete “um sentimento compartilhado por todos os argentinos”.

O que pode acontecer

A FIFA confirmou que sua Comissão Disciplinar Independente está analisando os relatórios da partida e avaliando as circunstâncias antes de decidir as medidas. De acordo com fontes próximas à entidade, o mais provável é uma multa à Associação do Futebol Argentino (AFA). Uma suspensão para Lo Celso ou outros envolvidos não está descartada, mas é considerada menos provável.

Em 2014, a Argentina já havia sido multada em cerca de 20 mil dólares por episódio idêntico — exibição da mesma mensagem antes de um amistoso contra a Eslovênia.

A polêmica adiciona mais um capítulo à rivalidade histórica entre Argentina e Inglaterra, alimentada pela Guerra das Malvinas de 1982, conflito que deixou 649 mortos argentinos e 255 britânicos.

Enquanto isso, a Seleção Argentina foca na grande final contra a Espanha, marcada para este domingo, em New Jersey, onde buscará o bicampeonato consecutivo.

Com informações do portal Metrópoles