Publicado em 17 de agosto de 2026 às 15:11
A sequência de terremotos registrados em diferentes partes do mundo voltou a levantar uma dúvida: a Terra está tremendo mais? A preocupação ganhou força após os fortes abalos na Venezuela e na Colômbia, além de terremotos registrados no Japão e de tremores sentidos em Belém do Pará. Nas redes sociais, uma previsão atribuída à vidente Vó Bahiana, que aponta 7 de setembro como possível data para um terremoto na capital paraense, também passou a chamar atenção. Especialistas, porém, afirmam que os dados disponíveis não indicam um aumento anormal da atividade sísmica.>
Afinal, os terremotos estão mais frequentes?>
A impressão de que o planeta está registrando mais terremotos não significa necessariamente que isso esteja acontecendo.>
Os principais serviços geológicos do mundo não identificam evidências de um aumento anormal na frequência dos terremotos. O que mudou significativamente nas últimas décadas foi a capacidade de detectar esses fenômenos.>
As redes de monitoramento sísmico estão mais amplas e utilizam equipamentos cada vez mais sensíveis. Com isso, tremores pequenos, que no passado poderiam não ser identificados, hoje entram nos registros oficiais.>
A velocidade da informação também influencia essa percepção. Um terremoto ocorrido a milhares de quilômetros de distância pode ser identificado e divulgado em poucos segundos, acompanhado por vídeos feitos por moradores, imagens de câmeras de segurança e informações sobre magnitude, localização e réplicas.>
Segundo o geólogo venezuelano Feliciano De Santis, os catálogos globais mostram que terremotos fortes fazem parte do comportamento normal do planeta. Em um ano típico, ocorrem aproximadamente 15 a 20 terremotos com magnitudes entre 7 e 8.>
O número, entretanto, não é igual todos os anos.>
O Centro Nacional de Informações sobre Terremotos dos Estados Unidos estima que cerca de 20 mil terremotos sejam registrados anualmente no mundo, uma média de aproximadamente 55 tremores por dia.>
Já o Serviço Geológico dos Estados Unidos calcula uma média de 16 terremotos de maior magnitude a cada ano. Aproximadamente 15 superam magnitude 7 e um ultrapassa magnitude 8.>
Nas últimas cinco décadas, houve anos em que os números ficaram acima ou abaixo dessa média. Em 2010, por exemplo, foram registrados 23 terremotos de magnitude elevada. Em 1989, foram apenas seis tremores superiores a magnitude 7.>
Por isso, uma avaliação mais precisa sobre a possibilidade de 2026 ser um ano fora do padrão só poderia ser feita comparando todo o registro sísmico mundial do ano com os dados históricos de períodos anteriores.>
Venezuela e Colômbia passaram por terremotos devastadores>
A percepção de que a atividade sísmica aumentou ganhou força principalmente após dois grandes episódios na América do Sul.>
Em 24 de junho, a Venezuela foi atingida por dois terremotos de magnitude 7,2 e 7,5. Os abalos ocorreram com menos de um minuto de diferença e foram considerados eventos superficiais, a aproximadamente 10 quilômetros de profundidade.>
O terremoto provocou milhares de mortes, feridos e desabrigados, além de centenas de réplicas.>
Menos de dois meses depois, em 10 de agosto, um terremoto de magnitude 7,4 atingiu a Colômbia.>
O epicentro ficou próximo de San José del Palmar, no departamento de Chocó, no oeste do país. O tremor ocorreu a aproximadamente 96 quilômetros de profundidade, segundo o Serviço Geológico Colombiano.>
Os números divulgados pelas autoridades colombianas chegaram a 281 mortos, 3.971 feridos, 379 desaparecidos e mais de 100 mil pessoas afetadas.>
A sequência chamou atenção porque os dois países estão na mesma região do continente e os terremotos ocorreram em um intervalo relativamente curto.>
Isso, porém, não significa que os eventos tenham sido provocados uns pelos outros.>
Terremotos da Venezuela e da Colômbia estão relacionados?>
Especialistas afirmam que não há evidências de uma ligação direta.>
Os epicentros dos terremotos estavam separados por aproximadamente 1.200 quilômetros e os fenômenos ocorreram em estruturas tectônicas diferentes.>
Na Venezuela, a atividade sísmica está relacionada principalmente ao limite entre as placas do Caribe e Sul-Americana. O movimento é predominantemente horizontal e ocorre por meio de falhas de transcorrência.>
Na Colômbia, a situação é diferente. O país sofre forte influência da subducção da Placa de Nazca sob a Placa Sul-Americana. Nesse processo, uma placa mergulha sob outra.>
O geólogo Andres Folguera, do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas da Argentina, também apontou que os terremotos envolveram processos geológicos distintos.>
O especialista chinês Wang Tun, vice-diretor do Laboratório-Chave de Riscos em Áreas Montanhosas e Segurança de Engenharia da Academia Chinesa de Ciências, afirmou que não houve transferência de tensão suficiente entre os dois eventos para estabelecer uma relação direta.>
Segundo Wang, os terremotos devem ser considerados independentes.>
Por que a profundidade faz diferença?>
A profundidade do terremoto é um dos fatores que ajudam a determinar seus efeitos.>
Os terremotos da Venezuela ocorreram a cerca de 10 quilômetros da superfície. Como eram rasos, a energia chegou com grande intensidade às regiões próximas aos epicentros, aumentando o potencial de destruição.>
O terremoto colombiano, por outro lado, ocorreu a quase 100 quilômetros de profundidade.>
Em terremotos mais profundos, a energia sísmica diminui à medida que se propaga até a superfície. Por outro lado, as ondas podem ser sentidas em uma área mais ampla.>
A destruição causada por um terremoto, portanto, não depende apenas da magnitude. Profundidade, distância do epicentro, tipo de solo, qualidade das construções e concentração populacional também fazem diferença.>
É por isso que dois terremotos com magnitudes semelhantes podem produzir consequências muito diferentes.>
Um terremoto pode desencadear outro em outro país?>
A ocorrência de terremotos fortes em sequência também alimentou especulações sobre uma possível reação em cadeia na América do Sul e até no chamado Círculo de Fogo do Pacífico.>
Os especialistas, porém, descartam essa interpretação para os eventos recentes.>
Wang Tun explicou que a ocorrência sucessiva de terremotos fortes não significa que outros países sul-americanos estejam automaticamente mais propensos a sofrer um grande terremoto ainda em 2026.>
O mesmo vale para a ideia de que a atividade sísmica poderia avançar pela borda do Oceano Pacífico em direção à Ásia.>
Segundo o especialista, as mudanças de tensão provocadas por um terremoto de magnitude 7,5 podem desencadear outros eventos significativos apenas em distâncias muito menores do que a extensão necessária para atravessar o Pacífico.>
Portanto, um terremoto na América do Sul não significa que Japão, Indonésia ou outros países asiáticos estejam prestes a sofrer um grande abalo por causa daquele evento.>
Por que Belém sente terremotos?>
A ocorrência de tremores em Belém também contribuiu para a preocupação dos moradores.>
A capital paraense está localizada no interior da Placa Sul-Americana, distante das principais regiões de encontro entre grandes placas tectônicas. Mesmo assim, terremotos fortes ocorridos em países vizinhos podem produzir ondas sísmicas capazes de atravessar milhares de quilômetros.>
Foi o que aconteceu após os terremotos registrados na Venezuela.>
Moradores de Belém relataram tremores, e episódios semelhantes também foram percebidos em Anajás, no arquipélago do Marajó, e em Santarém.>
Em Anajás, uma câmera de segurança registrou a água de uma piscina oscilando durante o tremor.>
Em Belém, dez edifícios chegaram a ser evacuados temporariamente por precaução. A Defesa Civil realizou vistorias e os moradores puderam retornar aos apartamentos.>
Segundo explicação de um professor da Universidade Federal do Pará, os tremores sentidos na capital são, em grande parte, reflexos de terremotos distantes, principalmente daqueles ocorridos na Cordilheira dos Andes e na região do Caribe.>
Na Cordilheira dos Andes, a Placa de Nazca mergulha sob a Placa Sul-Americana. Já no Caribe, os movimentos entre as placas estão relacionados aos terremotos registrados em países como a Venezuela.>
O solo de Belém pode aumentar a sensação de tremor?>
Sim.>
Belém possui solo predominantemente sedimentar, característica que pode amplificar determinadas vibrações.>
Os prédios altos também influenciam na percepção dos tremores. Estruturas desse tipo possuem uma oscilação natural que pode coincidir com ondas sísmicas de período mais longo produzidas por terremotos distantes.>
Por isso, moradores de andares elevados podem sentir um balanço mais perceptível, enquanto pessoas em construções baixas próximas podem não notar o mesmo movimento.>
Isso não significa, por si só, que o edifício esteja em risco.>
Prédios projetados adequadamente são construídos para suportar determinados movimentos e oscilações.>
Belém já sentiu terremotos antes>
O episódio recente não é inédito na capital paraense.>
Há registros históricos de tremores sentidos pela população de Belém.>
Em 7 de outubro de 1946, moradores relataram oscilações rápidas de móveis e janelas em prédios residenciais e comerciais.>
Outro episódio ocorreu em 12 de janeiro de 1970. Um tremor de magnitude 4,5 foi sentido em Belém e em municípios próximos, como Ananindeua, Mosqueiro, Abaetetuba, Castanhal e Vigia. O evento teria durado cerca de dez segundos.>
Naquele período, moradores relataram portas e janelas tremendo. O Edifício Manoel Pinto da Silva, então considerado o prédio mais alto da Amazônia, também apresentou oscilações perceptíveis.>
Não foram registradas rachaduras ou danos estruturais importantes.>
Existe ainda uma confusão histórica envolvendo o tremor de janeiro de 1970. Algumas pessoas associam o episódio ao terremoto de Ancash, no Peru, mas o grande terremoto peruano ocorreu somente em 31 de maio daquele ano, quase cinco meses depois. Portanto, os dois eventos não tiveram relação.>
Em agosto de 2018, outro terremoto de magnitude 7,3 registrado na Venezuela foi sentido em Belém. Na ocasião, moradores de edifícios altos também perceberam o balanço das estruturas.>
O Pará também registra tremores próprios>
Os tremores sentidos em Belém não significam que todos os eventos sísmicos do Pará tenham origem em outros países.>
O estado também registra pequenos terremotos com epicentro em seu próprio território.>
Nos últimos anos, eventos foram identificados em municípios como Breves, Baião, Canaã dos Carajás e Tucuruí.>
Segundo especialistas, esses tremores são provocados por reajustes naturais da crosta terrestre e pela reativação de antigas falhas geológicas existentes no interior da Placa Sul-Americana.>
Em Tucuruí, inclusive, houve uma reunião voltada à segurança da usina hidrelétrica após registros de atividade sísmica na região.>
Na maioria dos casos, são tremores de baixa magnitude e que sequer são percebidos pela população.>
Por isso, a existência desses eventos não significa que o Pará esteja entrando em uma fase de atividade sísmica intensa.>
O Brasil corre risco de sofrer um grande terremoto?>
Os terremotos recentes na Venezuela e na Colômbia também reacenderam uma dúvida no Brasil: o país está preparado para enfrentar um grande abalo?>
O Brasil não está livre de terremotos, mas sua posição geológica reduz a possibilidade de eventos de grande magnitude.>
O país está localizado no centro da Placa Sul-Americana, distante das principais bordas tectônicas. É justamente nessas regiões de contato entre grandes placas que ocorre uma parcela significativa dos terremotos mais fortes do planeta.>
Mesmo assim, existem falhas geológicas no território brasileiro. Essas estruturas podem acumular energia ao longo do tempo e, quando essa energia é liberada, produzir tremores.>
A diferença é que grandes terremotos são menos frequentes no Brasil.>
A maioria dos eventos registrados no país apresenta baixa magnitude, geralmente inferior a 4.>
O maior terremoto já registrado no território brasileiro ocorreu em 1995, na Serra do Tombador, em Mato Grosso, e atingiu magnitude 6,2.>
Apesar da intensidade, o tremor não provocou grandes danos, principalmente porque aconteceu em uma região pouco habitada.>
Quais regiões brasileiras têm maior atividade sísmica?>
Um levantamento realizado pela Universidade de São Paulo (USP) e pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) aponta algumas regiões brasileiras com maior suscetibilidade à atividade sísmica.>
Entre elas estão áreas de Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Ceará e Acre.>
Isso não significa que essas regiões estejam diante de um grande terremoto iminente. A suscetibilidade indica apenas que determinadas áreas possuem características geológicas associadas a uma maior ocorrência de tremores.>
De maneira geral, o risco de um terremoto de grande escala provocar uma catástrofe no Brasil é considerado baixo.>
Tremores de outros países podem ser sentidos no Brasil?>
Sim.>
As ondas sísmicas podem percorrer grandes distâncias, e a intensidade percebida depende de fatores como magnitude, profundidade, distância do epicentro e características geológicas do terreno.>
Um exemplo ocorreu após o terremoto de magnitude 7,4 na Colômbia, que foi sentido em Manaus, no Amazonas.>
Em Belém, fenômeno semelhante já aconteceu após terremotos na Venezuela.>
Portanto, sentir um tremor não significa necessariamente que o epicentro esteja próximo da cidade.>
É possível prever o próximo grande terremoto?>
Essa é uma das principais dúvidas que surgem depois de grandes terremotos.>
A resposta dos especialistas é que, atualmente, não.>
A ciência consegue monitorar o movimento das placas tectônicas, acompanhar falhas geológicas e identificar regiões de maior risco. Também é possível trabalhar com modelos estatísticos e calcular probabilidades.>
O que não existe é uma tecnologia capaz de determinar com confiabilidade o dia, o local exato e a magnitude de um terremoto antes que ele aconteça.>
“Isso não pode ser previsto”, afirmou De Santis.>
Wang Tun também ressaltou que a tecnologia atual não consegue prever com segurança quando e onde ocorrerá o próximo grande terremoto.>
Por isso, os especialistas defendem que a prevenção deve receber mais atenção do que as tentativas de prever o próximo evento.>
Por que a prevenção é mais importante?>
Um terremoto de grande magnitude não necessariamente provoca uma tragédia de grandes proporções.>
A profundidade, a geologia local, a forma como as ondas se propagam, a densidade populacional e, principalmente, a qualidade das edificações podem determinar a quantidade de vítimas e o tamanho dos prejuízos.>
Isso explica por que terremotos semelhantes podem produzir resultados completamente diferentes em cidades distintas.>
Para reduzir os danos, especialistas defendem o reforço de edificações, a atualização dos códigos de construção e uma fiscalização rigorosa durante projeto, construção, inspeção e manutenção.>
Também são importantes tecnologias de isolamento sísmico e sistemas capazes de dissipar a energia produzida pelos tremores.>
Estruturas antigas e vulneráveis devem ser avaliadas e, quando necessário, reforçadas.>
Chile é exemplo de prevenção>
De Santis cita o Chile como exemplo de país que convive com uma das maiores exposições a terremotos do mundo, mas conseguiu reduzir parte dos danos por meio de normas rigorosas de construção.>
O país está localizado em uma das regiões mais ativas do planeta do ponto de vista sísmico. Mesmo assim, regras de engenharia, fiscalização e preparação da população ajudam a reduzir o impacto dos terremotos.>
Para os especialistas, países sujeitos a tremores precisam atualizar continuamente seus códigos de construção e fiscalizar o cumprimento das normas.>
A preparação da população também é fundamental.>
Moradores devem saber quais são as rotas de evacuação de suas casas, escolas e locais de trabalho e conhecer os procedimentos básicos para agir durante um tremor.>
Sistemas de alerta podem salvar vidas>
Embora a ciência ainda não consiga prever terremotos, já existem tecnologias capazes de detectá-los rapidamente depois que começam.>
Em alguns países, sensores identificam o início de um terremoto e enviam alertas para áreas que ainda serão atingidas pelas ondas sísmicas mais fortes.>
A diferença pode ser de apenas alguns segundos, mas esse intervalo pode permitir que uma pessoa procure abrigo, se afaste de uma janela, interrompa uma atividade perigosa ou deixe de utilizar determinados equipamentos.>
Por isso, os especialistas defendem a ampliação desses sistemas e uma preparação pública mais eficiente.>
E a previsão da Vó Bahiana para Belém?>
Enquanto os especialistas afirmam que terremotos não podem ser previstos com precisão, uma previsão atribuída à vidente conhecida como Vó Bahiana ganhou força nas redes sociais.>
Em vídeos publicados na internet, ela afirma ter tido visões envolvendo terremotos, um possível tsunami e “terras se abrindo”.>
Entre as localidades citadas estão Belém, no Pará, e Manaus, no Amazonas. A vidente também mencionou Bahia, Pernambuco e Paraíba ao falar sobre um suposto risco de tsunami.>
As declarações voltaram a repercutir diante da sequência de terremotos registrados na América do Sul e dos tremores sentidos em diferentes pontos da Região Norte.>
Em uma das previsões que circulam nas redes sociais, Vó Bahiana teria indicado o dia 7 de setembro de 2026 para um possível terremoto em Belém.>
Nesta segunda-feira (17), faltam 21 dias para a data mencionada.>
A aproximação do dia fez internautas transformarem a previsão em uma espécie de contagem regressiva.>
Mas é importante deixar claro: não existe confirmação científica de que um terremoto ocorrerá em Belém em 7 de setembro.>
A previsão da vidente não é respaldada pelos órgãos oficiais de monitoramento sísmico e não existe método científico capaz de confirmar antecipadamente uma data específica para um terremoto.>
Portanto, a contagem regressiva nas redes sociais acompanha uma previsão pessoal, e não um alerta oficial.>
O que os dados científicos dizem sobre Belém?>
Os registros históricos mostram que Belém pode sentir tremores provocados por terremotos distantes e que o próprio Pará possui atividade sísmica de baixa intensidade.>
Isso, porém, não indica que a capital paraense esteja diante de um grande terremoto.>
O monitoramento sísmico brasileiro é realizado continuamente por instituições como a Rede Sismográfica Brasileira, com participação do Centro de Sismologia da USP e do Observatório Sismológico da Universidade de Brasília.>
Esses sistemas acompanham os eventos registrados no território nacional e ajudam os pesquisadores a entender o comportamento sísmico do país.>
Até o momento, não há indicação científica de que Belém esteja entrando em um período de atividade sísmica anormal.>
Então, o mundo está tremendo mais?>
Os dados disponíveis não permitem afirmar que sim.>
A quantidade de terremotos fortes varia naturalmente de um ano para outro, enquanto a capacidade de detectá-los e divulgá-los aumentou significativamente.>
A sequência recente de eventos na Venezuela, Colômbia, Japão e em outras regiões do planeta, somada aos tremores sentidos em Belém e Manaus, aumentou a percepção de que a atividade sísmica estaria crescendo.>
Mas os especialistas consultados não identificam evidências de um ciclo sísmico anormal na América do Sul.>
Também não há base científica para afirmar que os terremotos recentes estejam formando uma reação em cadeia ou aumentando automaticamente o risco de um grande abalo em outros países.>
O que a ciência consegue fazer é monitorar, calcular riscos, melhorar sistemas de alerta e orientar a preparação das cidades.>
No caso de Belém, os registros históricos mostram que a cidade já sentiu terremotos e pode voltar a perceber ondas sísmicas produzidas por grandes abalos ocorridos a milhares de quilômetros.>
Isso não significa que um terremoto de grande magnitude esteja prestes a acontecer na capital.>
Quanto à previsão para 7 de setembro, ela deve ser tratada como uma declaração divulgada nas redes sociais, sem respaldo científico.>
A principal conclusão dos especialistas é que não é possível impedir os movimentos das placas tectônicas nem prever com precisão o próximo grande terremoto. O que pode ser feito é reduzir os danos por meio de construções mais seguras, fiscalização, sistemas de alerta e preparação da população.>