Quem é a delegada do Pará presa por suspeita de ligação com líder do PCC

Maria Virgínia Grimwood Pinto é investigada por supostamente fornecer informações sigilosas e proteção ao criminoso em troca de dinheiro

Publicado em 15 de outubro de 2026 às 10:54

Maria Virgínia Grimwood Pinto é investigada por supostamente fornecer informações sigilosas e proteção ao criminoso em troca de dinheiro
Maria Virgínia Grimwood Pinto é investigada por supostamente fornecer informações sigilosas e proteção ao criminoso em troca de dinheiro Crédito: Reprodução 

A delegada da Polícia Civil do Pará (PCPA) Maria Virgínia Grimwood Pinto foi presa nesta quinta-feira (15), em um hotel no Setor Hoteleiro Norte, em Brasília, suspeita de manter um relacionamento amoroso e colaborar com Renato Henrique do Carmo, conhecido como “Gordão”, apontado como uma das lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC). Ele também foi preso durante uma operação policial em um resort de luxo.

Segundo as investigações, conversas extraídas do celular de Gordão indicaram que a delegada mantinha uma relação amorosa com ele e teria recebido vantagens financeiras em troca de informações sigilosas, acesso a sistemas restritos e proteção institucional ao grupo criminoso.

Entre os elementos apurados está uma transferência bancária de R$ 50 mil, mencionada nas comunicações analisadas pelos investigadores.

Maria Virgínia é investigada por suspeitas de corrupção, violação de sigilo funcional e colaboração com organização criminosa. As acusações ainda estão sob investigação.

Viagens e rotina nas redes sociais

Antes de ser presa, a delegada publicou stories no Instagram em um restaurante localizado no Pontão Sul, no Lago Sul, em Brasília. Em seus perfis, ela também costumava compartilhar registros de viagens internacionais, incluindo destinos nos Estados Unidos e na França, além de imagens da rotina profissional.

Como começou a investigação

A prisão faz parte da Operação Sinalagma, conduzida pela 1ª Delegacia de Polícia de Repressão ao Narcotráfico (1ª DPRN/Denarc), da Polícia Civil de Pernambuco. A investigação começou com ações de inteligência para identificar lideranças criminosas com atuação na região de Muro Alto, em Ipojuca, onde fica o distrito turístico de Porto de Galinhas.

As apurações avançaram após a prisão de Gordão, em 14 de janeiro de 2025. Na ocasião, os policiais identificaram que ele usava documentos com identidade falsa. O celular apreendido foi submetido à análise, mediante autorização judicial, e as informações encontradas ajudaram a identificar possíveis integrantes e colaboradores do grupo.

O nome da operação faz referência à reciprocidade de obrigações. Neste caso, simboliza a suspeita de troca de dinheiro e outros benefícios por informações sigilosas e proteção de agentes públicos.

Esquema movimentou quase R$ 15 milhões

Relatórios de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontaram indícios de uma estrutura criminosa com atuação em diferentes estados, suspeita de envolvimento com tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.

Segundo a investigação, o grupo utilizava documentos falsos, terceiros e empresas formalmente constituídas para movimentar recursos e ocultar a origem dos valores. Também foram identificadas transações bancárias incompatíveis com a capacidade financeira declarada dos envolvidos.

Ao todo, os investigados movimentaram pelo menos R$ 14.954.920,02, conforme os dados financeiros analisados pela investigação.

Com informações do Metrópoles