Redução anunciada pela Petrobras não chega às bombas no Pará, aponta DIEESE

Mesmo com corte de 5,2% no preço da gasolina nas refinarias, valores subiram no estado e em Belém, contrariando a expectativa de alívio ao consumidor.

Publicado em 5 de fevereiro de 2026 às 09:30

Redução anunciada pela Petrobras não chega às bombas no Pará, aponta DIEESE
Redução anunciada pela Petrobras não chega às bombas no Pará, aponta DIEESE Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Apesar do anúncio da Petrobras de redução de 5,2% no preço da gasolina vendida às distribuidoras, feito em 26 de janeiro de 2026, o consumidor paraense ainda não sentiu alívio no bolso. A medida, que entrou em vigor no dia 27 do mesmo mês e representou queda aproximada de R$ 0,14 por litro nas refinarias, não se refletiu nos preços praticados nos postos do Pará e de Belém, segundo análise do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos no Pará (DIEESE/PA), com base em dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

De acordo com o DIEESE/PA, a redução foi anunciada dentro da atual política de preços da estatal, que deixou de seguir exclusivamente a paridade de importação e passou a considerar fatores como estratégias comerciais, condições do mercado interno e custos de produção. A expectativa, à época, era de que a queda na origem resultasse em preços mais baixos ao consumidor final, o que não ocorreu.

Na comparação entre as semanas de 18 a 24 de janeiro e de 25 a 31 de janeiro de 2026, o preço médio da gasolina no Pará apresentou alta de 0,6%, passando de R$ 6,27 para R$ 6,31 por litro. Em Belém, o aumento foi ainda maior, de 1,1%, com o valor médio subindo de R$ 6,18 para R$ 6,25. No mesmo período, a média nacional permaneceu estável, enquanto a Região Norte registrou leve recuo de 0,5%.

No ranking nacional de preços médios da gasolina comum, o Pará ocupou a 15ª posição na semana de 25 a 31 de janeiro, com valor médio de R$ 6,31 por litro. O levantamento também chama atenção para a grande variação de preços dentro do estado, com valores indo de R$ 5,59, no menor preço encontrado, até R$ 7,10, no maior.

A análise por municípios mostra que a redução anunciada não ocorreu de forma homogênea. Alenquer e Santarém registraram os maiores preços médios do estado, com R$ 7,02 e R$ 6,95 por litro, respectivamente. Em Belém, o preço médio foi de R$ 6,25, com variação entre R$ 5,91 e R$ 6,59. Já em municípios da Região Metropolitana, como Ananindeua, os valores médios ficaram mais baixos, em torno de R$ 5,80.

Segundo o DIEESE/PA, essas diferenças podem ser explicadas por fatores como custos logísticos, distância dos centros de distribuição, nível de concorrência entre os postos e estratégias comerciais adotadas localmente. Ainda assim, o cenário geral indica um descompasso entre a redução anunciada pela Petrobras e os preços efetivamente pagos pelo consumidor paraense.

Para o órgão, o quadro reforça que, mesmo após o ajuste no preço da gasolina na origem, o impacto positivo esperado não chegou às bombas, mantendo elevados os custos para quem depende do combustível no dia a dia.