Publicado em 21 de janeiro de 2026 às 11:21
Servidores do Sistema Único de Assistência Social (Suas) e da educação municipal realizam, nesta quarta-feira (21), um protesto unificado em Belém. A manifestação acontece na avenida José Bonifácio, no bairro de São Brás, e integra a greve das categorias, que denunciam retirada de direitos, precarização dos serviços públicos e falta de diálogo por parte da gestão municipal.>
O ato faz parte do movimento iniciado na segunda-feira (19) pelos trabalhadores da assistência social, que estão em greve contra alterações no estatuto dos servidores, leis aprovadas recentemente e propostas que, segundo a categoria, colocam em risco a estrutura do Suas e o funcionamento da Fundação Papa João XXIII (Funpapa). Entre as principais reivindicações estão a revogação do novo estatuto, a não extinção da fundação e a realização imediata de concurso público.>
Os servidores alertam que a Funpapa é responsável por políticas essenciais de assistência social em Belém, atuando no atendimento a pessoas e famílias em situação de vulnerabilidade, como moradores de rua, crianças, migrantes e refugiados, além da gestão do Cadastro Único, dos Cras e dos Creas. A categoria afirma que o enfraquecimento da fundação compromete diretamente esses serviços.>
A mobilização desta quarta-feira conta também com a participação de trabalhadores da educação municipal, que aderiram à greve e somaram forças ao ato. A professora e coordenadora do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Pará (Sintepp), Letícia Silva, afirmou que a educação pública de Belém enfrenta ataques aos direitos de professores, técnicos administrativos e trabalhadores de serviços gerais.>
“A educação pública municipal tá em greve em Belém. E ela tá em greve porque nós, professores, administrativos, trabalhadores de serviços gerais, estamos sendo atacados nos nossos direitos. Os nossos alunos precisam de acompanhante especializado nas turmas e nós não temos”, declarou.>
Segundo Letícia, mudanças na matriz curricular e na organização das escolas prejudicam tanto profissionais quanto estudantes. “Os professores de arte e de educação física estão tendo sua especialidade desrespeitada, sendo colocados para cumprir outras atribuições. Nas creches e unidades de educação infantil, o tempo de permanência dos alunos vai ser reduzido”, afirmou.>
Ela também criticou a redução do número de professores nas turmas da educação infantil. “Tem um só professor nas turmas de maternal e de jardim. A Secretaria Municipal de Educação está tirando um professor, isso é um absurdo. Precisam ser dois professores nessas turmas”, disse.>
Entre as reivindicações da educação estão ainda melhorias na alimentação escolar, reformas nas escolas, garantia de professores fixos nas unidades e a manutenção do estatuto do magistério e do plano de carreira. A coordenadora do Sintepp também contestou informações sobre supostos salários elevados pagos aos docentes. “Estão dizendo que a gente ganha R$ 16 mil, mas isso não é verdade. As condições impostas para avançar na carreira são inaceitáveis, como penalizar o servidor até quando ele adoece”, afirmou.>
O protesto desta quarta-feira ocorre de forma pacífica, mas impacta a circulação de veículos na região de São Brás. As categorias afirmam que a greve é resultado da falta de negociação e cobram abertura de diálogo por parte da Prefeitura de Belém.>
A reportagem solicitou um posicionamento da Prefeitura de Belém sobre a manifestação e as reivindicações apresentadas pelos servidores. Até o fechamento desta matéria, não houve resposta.>