Suposto terreno da família Sabino é negociado para construção de prédios na orla de Belém

Venda do terreno de preservação às margens da Baía do Guajará envolve figuras políticas conhecidas no Pará e intermediação para construtoras, ampliando o escândalo de privatização da orla.

Publicado em 9 de agosto de 2026 às 14:52

Terreno que será utilizado pela construtora -
Terreno que será utilizado pela construtora - Crédito: Redes sociais

Novas revelações aprofundam a controvérsia em torno da liberação de terrenos às margens da Baía do Guajará para a construção de empreendimentos imobiliários de alto padrão. Uma apuração do portal Roma News indica que uma das áreas estratégicas negociadas com a construtora Leal Moreira pertence à família Sabino, clã com forte presença na política paraense.

Entre os integrantes da família estão Celso Sabino (PDT), ex-ministro do Turismo e candidato ao Senado Federal, e Cilene Sabino, atual secretária de Cultura da Prefeitura de Belém.

Conforme as informações apuradas, a propriedade foi negociada pelos Sabino com o empresário Evandro Azevedo. Ele atua como ponte no mercado imobiliário, ficando encarregado de repassar os lotes estrategicamente localizados para grandes construtoras interessadas na verticalização da orla.

A transação envolve um terreno situado no trecho final da rua Nelson Ribeiro, no bairro do Umarizal, próximo à avenida Pedro Álvares Cabral. O plano prevê a edificação de até três torres residenciais de luxo na faixa litorânea.

A área é apontada por especialistas urbanísticos e ambientais como uma Área de Preservação Permanente (APP) e terreno de marinha, cuja ocupação privada restringe o uso público do ecossistema fluvial da capital.

O caso vem gerando descontentamento devido aos seguintes fatores de impacto:

A revelação da ligação da família Sabino com o imóvel intensifica a insatisfação popular. Moradores e ativistas usam as redes sociais para cobrar posicionamentos firmes do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) e das autoridades competentes contra a privatização do patrimônio natural de Belém.

Até o momento, os envolvidos citados — a família Sabino, o empresário Evandro Azevedo, a construtora Leal Moreira e a Prefeitura de Belém — não apresentaram esclarecimentos oficiais detalhando os trâmites do licenciamento ambiental e a legalidade das negociações na área.