Suspeito de aceitar supostas propinas em obras da COP30, secretário estadual é exonerado

Benedito Ruy Cabral deixa o cargo seis meses após Operação Igapó; PF aponta indícios de fraudes em licitações e repasses milionários ligados a contratos públicos

Publicado em 24 de junho de 2026 às 12:15

Suspeito de aceitar supostas propinas em obras da COP30, secretário estadual é exonerado
Suspeito de aceitar supostas propinas em obras da COP30, secretário estadual é exonerado Crédito: Ag. Pará 

A governadora Hana Ghassan exonerou o secretário de Obras Públicas do Pará, Benedito Ruy Santos Cabral, em uma decisão publicada no Diário Oficial do Estado. A saída ocorre cerca de seis meses após o avanço das investigações da Operação Igapó, deflagrada pela Polícia Federal.

De acordo com o governo estadual, a exoneração foi formalizada “a pedido” do próprio ex-secretário. No entanto, a saída acontece em meio ao aprofundamento das apurações conduzidas pela Polícia Federal sobre um suposto esquema de irregularidades em contratos públicos.

Benedito Ruy Cabral é investigado por suspeitas de envolvimento em fraudes em licitações, desvio de recursos, lavagem de dinheiro e pagamento de propina em obras públicas no estado, incluindo contratos relacionados a projetos vinculados à COP30, que foi realizada em Belém.

Em decisões judiciais relacionadas à operação, o Supremo Tribunal Federal apontou a existência de indícios considerados graves envolvendo possíveis violações de deveres funcionais atribuídos ao então secretário, em razão da posição estratégica que ocupava na Secretaria de Obras Públicas.

Entre os elementos reunidos pela investigação, está a movimentação de valores em espécie. Segundo a Polícia Federal, um empresário teria sacado cerca de R$ 6 milhões e, poucas horas depois, mantido contato por telefone com o então secretário.

Ainda conforme os registros da PF, no mesmo dia do saque, houve troca de mensagens entre os investigados, incluindo uma resposta curta atribuída a Cabral “vem” após o contato inicial. Em seguida, o empresário teria indicado a entrega de valores a uma terceira pessoa, mencionando o nome de uma intermediária.

A suspeita dos investigadores é de que o montante possa ter sido repassado no contexto de uma licitação de aproximadamente R$148 milhões, voltada a obras relacionadas à COP 30, em um intervalo próximo à habilitação de um consórcio no processo.

As investigações seguem sob responsabilidade da Polícia Federal, que ainda apura o eventual envolvimento de outros agentes públicos e privados no esquema.