Publicado em 10 de setembro de 2026 às 12:10
Três trabalhadores rurais foram resgatados de condições consideradas análogas à escravidão durante uma fiscalização em uma fazenda de São Félix do Xingu, no sudeste do Pará. A situação foi identificada entre os dias 17 e 26 de agosto, durante a Operação Resgate VI, força-tarefa nacional de combate ao trabalho análogo à escravidão e ao tráfico de pessoas.>
Os trabalhadores viviam em uma estrutura improvisada de madeira, com piso de terra e sem proteção adequada contra a entrada de insetos e animais. O espaço também não tinha geladeira para conservação dos alimentos nem armários para guardar objetos pessoais e mantimentos.>
Os fiscais encontraram ainda instalações sanitárias deterioradas e sem condições adequadas de uso. Diante do conjunto de irregularidades, a fiscalização caracterizou as condições encontradas como degradantes.>
A ação contou com equipes do Ministério Público do Trabalho no Pará e Amapá (MPT PA-AP), Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e Defensoria Pública da União (DPU). Após o resgate, os trabalhadores receberam atendimento da rede de assistência social e retornaram aos municípios de origem.>
A operação também identificou irregularidades em propriedades rurais de São Geraldo do Araguaia e Conceição do Araguaia.>
Em São Geraldo do Araguaia, um adolescente de 16 anos foi encontrado trabalhando como vaqueiro. Ele foi retirado imediatamente da atividade, que integra a lista das piores formas de trabalho infantil por apresentar riscos à saúde e à segurança.>
Já em Conceição do Araguaia, outro trabalhador exercia a função de vaqueiro sem registro formal. A fiscalização também apontou outras irregularidades relacionadas aos direitos trabalhistas.>
Após as fiscalizações, os responsáveis pelas propriedades participaram de reuniões com representantes dos órgãos envolvidos. Foram firmados Termos de Ajustamento de Conduta (TACs), com medidas para corrigir as irregularidades e garantir condições adequadas de trabalho.>
Nos casos de São Félix do Xingu e São Geraldo do Araguaia, os responsáveis também assumiram o compromisso de pagar verbas rescisórias e indenizações por danos morais individuais.>
Os acordos preveem multas de R$ 2 mil a R$ 5 mil em caso de descumprimento. A Superintendência Regional do Trabalho no Pará deverá adotar as medidas administrativas relacionadas às infrações identificadas.>
No caso de São Félix do Xingu, os documentos produzidos durante a fiscalização serão encaminhados ao Ministério Público Federal (MPF). O órgão poderá investigar se houve crime previsto no artigo 149 do Código Penal, que trata da redução de trabalhadores à condição análoga à escravidão.>
Denúncias>
Casos suspeitos de trabalho análogo à escravidão podem ser denunciados de forma sigilosa pelo Sistema Ipê, pelo Disque 100 ou pelos canais de atendimento do Ministério Público do Trabalho.>