UFRA recebe evento que discute alagamentos e prevenção de desastres em Belém

A iniciativa integra uma campanha nacional que busca mudar a forma como o país lida com eventos extremos, priorizando a prevenção, e não apenas a resposta emergencial

Publicado em 5 de maio de 2026 às 10:23

A iniciativa integra uma campanha nacional que busca mudar a forma como o país lida com eventos extremos, priorizando a prevenção, e não apenas a resposta emergencial
A iniciativa integra uma campanha nacional que busca mudar a forma como o país lida com eventos extremos, priorizando a prevenção, e não apenas a resposta emergencial Crédito: Vanessa Monteiro/Ascom UFRA

Após um mês de abril marcado por chuvas intensas, alagamentos e famílias afetadas, Belém volta a discutir um problema recorrente: como reduzir os impactos das enchentes na cidade. O tema será o foco de um evento realizado na manhã desta terça-feira (5), no campus Belém da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA).

A programação começa às 8h30 e reúne especialistas, estudantes e comunidade para discutir estratégias de prevenção de desastres. A iniciativa integra uma campanha nacional que busca mudar a forma como o país lida com eventos extremos, priorizando a prevenção, e não apenas a resposta emergencial.

O debate ganha força diante de dados recentes: o Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR) identificou 301 áreas sujeitas a inundação e 88 com risco de erosão em Belém. Na prática, isso significa milhares de famílias vivendo em locais vulneráveis, especialmente em regiões com infraestrutura precária e drenagem insuficiente.

Estudos apontam que pelo menos 6,6 mil moradias na área continental estão em zonas de risco de inundação, enquanto outras 237, nas ilhas, enfrentam ameaça de erosão costeira. Ao todo, mais de 23 mil pessoas podem ser diretamente beneficiadas por intervenções previstas no plano.

A realidade da capital paraense está diretamente ligada às suas características geográficas. A cidade possui áreas muito baixas, muitas delas entre 0 e 4 metros de altitude, o que favorece o acúmulo de água. Soma-se a isso o crescimento urbano desordenado, com ocupações em áreas aterradas sem planejamento adequado, além de um sistema de drenagem insuficiente.

Especialistas envolvidos no estudo explicam que os alagamentos não são causados apenas pela chuva intensa. Eles resultam da combinação entre eventos climáticos, como precipitações fortes e marés elevadas, com problemas estruturais e sociais, como ocupação irregular e falta de saneamento. Nessas condições, quando o volume de água aumenta, o transbordamento é praticamente inevitável.

Áreas como os canais da Quintino, Mata Fome, 14 de Março e 3 de Maio aparecem entre os pontos mais críticos, reunindo tanto vulnerabilidade ambiental quanto social.

Diante desse cenário, o evento propõe uma mudança de mentalidade: deixar de tratar desastres como algo inevitável ou exclusivamente “culpa da chuva” e passar a enxergá-los como situações que podem ser previstas e mitigadas.

Além do debate, a programação inclui apresentação de materiais educativos e uma oficina prática, com foco na formação de multiplicadores de informação dentro das comunidades.

O plano municipal também já estabelece prioridades para ações estruturais. Entre os bairros que demandam intervenções urgentes estão Tapanã, Curió-Utinga, Paracuri, Terra Firme, São João do Outeiro, Una, Ponta Grossa, Maracacuera, Cremação e Sacramenta.

As soluções passam por diferentes frentes. De um lado, obras como macrodrenagem e melhorias no escoamento da água. De outro, medidas educativas e de conscientização, como evitar o descarte de lixo em canais e ampliar o acesso à informação sobre riscos.

A avaliação técnica reforça que enfrentar os alagamentos em Belém exige um esforço integrado entre poder público e população, com planejamento, investimento e mudança de comportamento.