Um mês antes da repercussão nacional, Roma News revelou investigação que afastou promotor e expôs esquema milionário no Pará

Investigação apura um suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e abuso de poder envolvendo integrantes do sistema de Justiça do Pará

Publicado em 10 de janeiro de 2026 às 13:28

Promotor de Justiça Luiz Márcio Teixeira Cypriano e DPC Arthur Nobre
Promotor de Justiça Luiz Márcio Teixeira Cypriano e DPC Arthur Nobre Crédito: Reprodução 

Há cerca de um mês, o Roma News noticiou o afastamento do promotor de Justiça Luiz Márcio Teixeira Cypriano e o avanço de uma investigação sigilosa que apura um suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e abuso de poder envolvendo integrantes do sistema de justiça do Pará. Agora, o caso ultrapassa as fronteiras do estado e passa a ser repercutido pela imprensa nacional.

A apuração, conduzida pelo Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado (GAECO) e supervisionada pelo Tribunal de Justiça do Pará (TJPA), resultou no afastamento de promotores, delegados e assessores públicos, além da autorização de buscas, apreensões e quebras de sigilo bancário e fiscal. À época, o Roma News revelou que a investigação apontava o uso indevido de cargos públicos, sistemas internos do Ministério Público e relações pessoais para obtenção de vantagens ilícitas.

Segundo os autos, o promotor Luiz Márcio Teixeira Cypriano teria utilizado sistemas internos do MPPA para repassar informações sigilosas, atuando em conjunto com delegados da Polícia Civil e outros agentes públicos. A decisão judicial destacou a existência de indícios consistentes de uma organização criminosa estruturada, com divisão de funções e atuação coordenada dentro de instituições estratégicas do Estado.

Além de Luiz Márcio, a decisão judicial também determinou o afastamento de Renan Louchard da Cunha Castro, assessor do Ministério Público do Estado do Pará; Arthur Afonso Nobre de Araújo Sobrinho, delegado da Polícia Civil; e Carlos Daniel Fernandes de Castro, delegado e então diretor metropolitano da Polícia Civil do Pará. De acordo com o processo, os envolvidos utilizavam pessoas próximas, como esposas, filhos e amigos, para a dissimulação e ocultação das vantagens financeiras. Ainda segundo os autos, os integrantes do grupo, além do vínculo criminoso, mantinham forte relacionamento pessoal, o que teria facilitado a articulação e a continuidade do esquema.

Relatórios financeiros anexados ao processo revelam movimentações consideradas atípicas que ultrapassam R$ 17 milhões, em um período de quatro anos, envolvendo contas de investigados e de terceiros supostamente utilizados como intermediários para a circulação do dinheiro.

Na semana passada, o TJPA decidiu levantar o sigilo dos autos principais da investigação, mantendo sob reserva apenas os processos relacionados às medidas cautelares. Para a Corte, após o cumprimento das buscas e dos afastamentos, não há mais justificativa para manter o procedimento investigatório totalmente fechado, reforçando o princípio da transparência e do controle social.

Com o levantamento parcial do sigilo, detalhes que haviam sido revelados inicialmente pelo Roma News agora passam a integrar o debate público em nível nacional. O caso segue em investigação, e os citados ainda não foram condenados. O espaço segue aberto para manifestações das defesas.