Uso excessivo de telas nas férias acende alerta para a saúde mental e cognitiva das crianças

Profissional orienta famílias a resgatarem brincadeiras tradicionais e atividades longe dos dispositivos digitais

Publicado em 14 de julho de 2026 às 11:12

Uso excessivo de telas nas férias acende alerta para a saúde mental e cognitiva das crianças - 
Uso excessivo de telas nas férias acende alerta para a saúde mental e cognitiva das crianças -  Crédito: Divulgação

Com as férias escolares, aumenta o tempo livre das crianças em casa e, com ele, o desafio de controlar o uso de celulares, tablets, computadores e televisores. Embora façam parte da rotina, os dispositivos digitais exigem limites, especialmente quando substituem atividades importantes para o desenvolvimento infantil, como brincar, criar, conversar, ler e interagir.

Segundo orientações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), o uso desregulado de telas está associado a riscos como alterações no sono, ansiedade, dificuldades de socialização, prejuízos na atenção e impactos no desenvolvimento da linguagem.

Para Reginaldo Arthus, professor de Pedagogia na Wyden, as férias são uma oportunidade para reorganizar hábitos dentro de casa e estimular experiências longe das telas.

“Precisamos devolver às crianças o direito de brincar, imaginar, ler e até de ficarem entediadas. O tédio também faz parte do desenvolvimento, porque estimula a criatividade. Quando a tela entrega tudo pronto, a criança perde oportunidades importantes de criar soluções, lidar com frustrações e desenvolver autonomia”, afirma.

Em Belém, atividades simples podem ajudar nesse equilíbrio. Brincadeiras ao ar livre, jogos de tabuleiro, pintura, montagem de cabanas, preparo de receitas simples, uso de sucata para criar brinquedos e momentos de leitura são alternativas acessíveis para reduzir o tempo de exposição aos dispositivos.

Segundo Arthus, a leitura também deve ser valorizada como uma atividade lúdica durante as férias, pois fortalece a imaginação, amplia o vocabulário, estimula a cognição e favorece a concentração.

“O brinquedo mais importante, muitas vezes, é a presença do adulto. Ler uma história junto com a criança, propor brincadeiras e permitir que ela explore o mundo pelo toque, pelo movimento e pela imaginação são formas simples de promover desenvolvimento e vínculo familiar”, explica.

O educador reforça que a proposta não é eliminar a tecnologia, mas estabelecer combinados. Evitar telas durante as refeições e antes de dormir, definir horários de uso e reservar momentos de convivência em família são medidas simples que ajudam a tornar as férias mais saudáveis e criativas.