Vaticano confirma excomunhão de padre brasileiro por cisma e alerta fiéis em Brasília

Ligado à tradicionalista Fraternidade São Pio X, o sacerdote Françoá Costa contesta a punição e defende suas missas.

Publicado em 14 de julho de 2026 às 11:46

Vaticano confirma excomunhão de padre brasileiro por cisma e alerta fiéis em Brasília
Vaticano confirma excomunhão de padre brasileiro por cisma e alerta fiéis em Brasília Crédito: Reprodução/Redes sociais

O Vaticano oficializou a excomunhão e a declaração de cisma do padre brasileiro Françoá Rodrigues Figueiredo Costa, após a participação do religioso em ordenações de bispos sem a autorização do Papa realizadas na cidade de Ecône, na Suíça, no dia 1º de julho de 2026. A decisão da Santa Sé, que também puniu clérigos de outras nacionalidades envolvidos na mesma cerimônia, tem impacto direto no Distrito Federal, onde o sacerdote atuava.

De acordo com a Arquidiocese de Brasília, o padre já era monitorado por sua adesão formal à Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) desde abril de 2025, um grupo de perfil ultraconservador que rejeita as reformas litúrgicas e teológicas modernas da Igreja.

As consequências práticas da punição máxima da Igreja Católica afetam diretamente a comunidade local. Com a declaração de excomunhão por parte de Roma, qualquer ato religioso ou ministerial conduzido pelo padre Françoá passa a ser considerado ilícito. Na prática, sacramentos fundamentais como a confissão e celebrações de matrimônio assistidos por ele a partir de agora são declarados nulos e sem qualquer validade jurídica e espiritual perante as leis do catolicismo romano.

Preocupada com a repercussão, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) emitiu um comunicado orientando que os católicos evitem frequentar as missas e atividades promovidas na Capela Santo Atanásio, em Brasília, alertando que a participação nesses atos pode fazer com que os próprios fiéis incorram no erro de apoiar a divisão da Igreja.

Em contrapartida, o sacerdote utilizou suas redes sociais para publicar um vídeo de esclarecimento e contestar a validade da punição romana. Na gravação, o padre Françoá argumentou que a sua aproximação com a Fraternidade São Pio X e a participação nos eventos europeus representam apenas uma desobediência grave de caráter administrativo, e não um rompimento definitivo ou cisma com a Igreja. Para sustentar sua posição, ele argumentou que o grupo tradicionalista reconhece a autoridade do Papa Leão XIV, incluindo o nome do pontífice nas orações litúrgicas diárias de suas celebrações.

Ainda em sua defesa virtual, o clérigo assegurou que suas atividades sacerdotais continuam plenamente válidas e legítimas com base no conceito teológico da jurisdição de suplência, que autorizaria sua atuação em momentos de grave crise na fé.

Ao reafirmar sua total rejeição às decisões do Concílio Vaticano II e às diretrizes contemporâneas emanadas pela Santa Sé, o sacerdote brasileiro declarou que as sanções aplicadas contra ele pelo Vaticano não possuem efeito real.