Publicado em 30 de outubro de 2024 às 18:33
Fatores técnicos, como o fechamento da Ptax do mês amanhã e a revisão do índice MSCI Brasil na próxima quarta-feira, 6, também estão no radar local. Já no exterior, foco para uma agenda extensa com payroll, eleição americana e reunião do Federal Reserve (Fed, BC americano) nos próximos dias>
No segmento à vista, o dólar fechou a R$ 5,7634 (+0,03%). O contrato futuro para novembro rondava estabilidade (+0,04%), a R$ 5,76450, por volta das 17h23. Já o índice DXY, que mede o dólar contra seis divisas fortes teve queda de 0,31%, a 103,994 pontos.>
Depois de ter tido o pior desempenho entre moedas emergentes na terça-feira e subir por toda a manhã, o real conseguiu fechar perto da estabilidade nesta quarta-feira. No exterior, o dólar recuou ante a maior parte dos pares fortes, apesar de ganhar terreno em relação ao peso mexicano, peso colombiano e peso chileno.>
O economista-chefe da Monte Bravo, Luciano Costa, afirma que o real teve desvalorização bem contida que alguns pares emergentes por um ajuste, com entendimento de que os comentários feitos pelos ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Rui Costa (Casa Civil) demonstraram convergência sobre reforço ao arcabouço fiscal: "parece um discurso mais alinhado, o que antes era um ponto de divergência".>
Contudo o consultor econômico da plataforma de transferências internacionais Remessa Online, André Galhardo, pondera que o desejo do mercado, de fato, é ver o esforço fiscal sendo materializado.>
Costa, da Monte Bravo, pontua ainda que o payroll dos Estados Unidos na sexta-feira deve gerar alguma volatilidade. "Provavelmente mercado terá cautela com divulgação do dado, pois hoje saiu uma pesquisa da ADP mais forte do que o esperado", avalia. Para ele, as eleições americanas na semana que vem também é evento importante, por mais que o resultado possa demorar por causa de uma apuração lenta, além de incertezas com o que o Fed deve decidir na quinta-feira, 7.>
Ibovespa>
A confiança manifestada hoje pelo ministro Fernando Haddad na sustentabilidade do arcabouço fiscal e na ancoragem das expectativas teve o efeito oposto a declarações do titular da Fazenda ontem, quando ele tinha indicado não haver data definida para o anúncio de cortes de gastos - pacote que o mercado esperava, anteriormente, que pudesse ser entregue tão logo encerrado o segundo turno das eleições municipais, no domingo. Assim, o dia ainda foi de avanço do dólar e da curva de juros doméstica em parte da sessão, mas em padrão mais discreto.>
Na B3, o Ibovespa operou nesta quarta-feira em variação estreita, entre mínima de 130.472,60 e máxima de 131.026,92 pontos, saindo de abertura aos 130.729,93. O giro financeiro se manteve acomodado na sessão, a R$ 17,0 bilhões, e o índice de referência fechou bem perto da estabilidade (-0,07%), aos 130 639,33 pontos. Na semana, o Ibovespa mostra ganho de 0,69%, mas segue no negativo no mês (-0,89%), faltando a sessão de amanhã para o encerramento de outubro. No ano, cede 2,64%.>
"Há conforto ainda do investidor com relação à renda fixa, considerando o nível atual da Selic - que deve voltar a subir na decisão do Copom na semana que vem. Um primeiro momento de retomada do interesse pela renda variável pode emergir quando vier a concretização de iniciativas favoráveis, como a redução de gastos públicos prometida pelo governo, com efeito na ponta longa da curva de juros, que tem se mantido pressionada", observa Isabel Lemos, gestora de renda variável do Fator.>
A mediana do mercado indica que haverá corte de R$ 25,50 bilhões nas despesas do governo, no âmbito das medidas de ajuste fiscal atualmente em discussão pelo Ministério da Fazenda, conforme levantamento dos jornalistas Daniel Tozzi Mendes, Gabriela Jucá e Anna Scabello, do Projeções Broadcast.>
O volume de cortes previsto pelo mercado, porém, ainda deverá ficar aquém do necessário para o cumprimento das regras fiscais do ano que vem. A mediana do mercado indica necessidade de cortes de R$ 49,50 bilhões em 2025 para cumprimento dos limites de gastos definidos no novo arcabouço fiscal.>
Para Lucas Moreira, especialista em investimentos do Grupo Fractal, "incertezas fiscais e inflação resiliente continuam pressionando o real", e "a confiança na política monetária e na estabilidade fiscal será crucial para conter uma desvalorização mais acentuada da moeda". Afora as questões domésticas, "a proximidade das eleições nos EUA e possíveis mudanças na política econômica americana podem aumentar a volatilidade cambial até o final do ano", acrescenta. Nesta quarta-feira, o dólar à vista subiu 0,03%, a R$ 5,7634, com máxima na sessão perto dos R$ 5,80, a R$ 5,7927.>
"Após divulgação do PIB dos EUA, que veio abaixo do esperado, investidores refazem projeções, com a possibilidade de um resultado menor para a atividade econômica estimular um corte de juros mais acentuado na próxima reunião do Federal Reserve", na próxima semana, diz Robert Machado, analista da CM Capital.>
Além dos desdobramentos em torno do cenário macroeconômico - o que envolve também a definição eleitoral nos Estados Unidos, também aguardada para a próxima semana -, Isabel, do Fator, destaca a temporada doméstica de resultados corporativos do terceiro trimestre, com foco em segmentos como os de bancos, construção civil e consumo discricionário, para os quais mantém perspectiva positiva. "O Ibovespa tem peso grande de bancos e commodities, e é importante olhar fora desses setores.">
Nesta quarta-feira, com a relativa estabilização da curva doméstica, parte do setor de consumo e construção, sensível a juros, mostrou recuperação. Na ponta ganhadora do Ibovespa, destaque para nomes como CVC (+4,35%), Magazine Luiza (+4,01%), Carrefour (+3,32%), MRV (+3,02%) e Cyrela (+3,01%). No lado oposto do índice, WEG (-5,16%), Embraer (-2,08%), IRB (-1,73%) e Rede D'Or (-1,69%).>
Entre as blue chips, tanto Petrobras como Vale mostraram perdas no fechamento, em sessão mista para os grandes bancos - ao final, majoritariamente positiva -, com destaque para a recuperação parcial de Santander Brasil, que ontem havia cedido pouco mais de 5% e hoje subiu 2,04%, em ajustes posteriores ao balanço do terceiro trimestre, na abertura da temporada de resultados das maiores instituições financeiras. Petrobras ON e PN recuaram respectivamente 0,87% e 0,44% (mínima do dia no fechamento), na sessão de hoje, enquanto Vale ON cedeu 0,30%.>
"Somente em julho e agosto registramos um leve fluxo positivo na Bolsa: o ano, no geral, tem sido de saída de capital, o que preocupa, considerando a necessidade de um fluxo estrangeiro consistente para expansão de negócios. Esse cenário é agravado por uma taxa de juros elevada, com os juros futuros em torno de 12,70% ao ano, em níveis vistos apenas em 2022 no contexto pós-pandemia", aponta Anilson Moretti, head de câmbio da HCI Invest.>
Juros>
Os juros futuros perderam ímpeto de queda ao longo do dia, mas ainda fecharam a sessão com viés de baixa. A expectativa em relação ao pacote fiscal segue trazendo volatilidade e a curva só deve ter um rumo definido quando o governo divulgar a agenda de revisão aprovada pelo presidente Lula.>
Os ministros Fernando Haddad (Fazenda), Simone Tebet (Planejamento) e Rui Costa (Casa Civil) tentaram aplacar a ansiedade dos agentes quanto às medidas, mas o efeito sobre os ativos foi limitado. O foco na questão fiscal deixou a agenda econômica em segundo plano e, no exterior, os juros globais do mesmo modo operaram sem tendência firme.>
A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2026 encerrou em 12,73%, de 12,75% ontem no ajuste. A taxa do DI para janeiro de 2027 passou de 12,91% para 12,88% e a do DI para janeiro de 2029, de 12,95% para 12,89%.>
O alívio visto na curva nesta quarta-feira se deu num ambiente de liquidez muito baixa - outro elemento que denota a pouca disposição do mercado em tomar posições contundentes. Enquanto não se tem ideia do que virá das medidas, o mercado tenta se posicionar, mas sem muita convicção.>
Ontem, Lula, Haddad, Costa e o diretor de Política Monetária e futuro presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, além de outros integrantes da equipe econômica, estiveram reunidos por quatro horas no Palácio da Alvorada, reforçando a expectativa de que o anúncio não tardaria, mas ainda não foi dessa vez.>
Haddad hoje disse entender a inquietação do mercado, mas ponderou que há muita especulação. Ele revelou que o governo está trabalhando numa "fórmula adequada" para o pacote, que abra caminho para a queda dos juros, do dólar e a ancoragem das expectativas. Já Costa reafirmou "o absoluto compromisso do governo com o equilíbrio fiscal", durante a cerimônia da Nova Indústria Brasil, no Planalto.>
Tebet disse que não há "pressa" na aprovação nem na "entrega" das ações, já que boa parte delas visa o cumprimento da regra fiscal em 2026, mas julga ser importante anunciar ainda em novembro. Segundo ela, Lula já tem ideia do montante de cortes e das medidas que o pacote incluirá. Mas o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, buscou se descolar, afirmando que nunca foi consultado por integrantes do governo sobre a agenda e que não existe debate no Executivo sobre cortar recursos de benefícios como seguro-desemprego e abono salarial.>
O analista de renda fixa da Connex Capital Gean Lima afirma que a casa tem posição atualmente neutra em prefixados, lembrando do ritmo forte da atividade, do nível de desancoragem das expectativas e a questão fiscal ainda em aberto. "Não há estímulo para ficar comprado, mas por outro lado a atratividade para aplicar depende do que o governo vai apresentar", diz. Ele destaca que a curva de FRA aponta Selic de 13,5% no fim de 2025, o que aparentemente é exagerado, "mas quem vai dizer se isso é verdade ou não são as ações do governo".>
"Temos os juros reais em patamar bastante elevado, aproximadamente 1,2 ponto-base acima da inflação implícita, o que evidencia um nível alto de restritividade dos juros reais. Vemos as taxas atrativas para aplicar, sobretudo com hedge na compra de inflação implícita", afirma.>
A agenda do dia trouxe, entre outros indicadores, o saldo do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) referente a setembro, mas sem impacto nos preços, ainda que o resultado positivo de 247.818 vagas tenha superado o de agosto (239.113) e também a mediana das estimativas, de 225 mil.>