Banco do Brasil vê alta na inadimplência após calote bilionário

A preocupação cresceu depois que o banco revelou, no balanço do último trimestre do ano, um calote de R$ 3,6 bilhões causado por uma única empresa

Publicado em 13 de fevereiro de 2026 às 16:56

A preocupação cresceu depois que o banco revelou, no balanço do último trimestre do ano, um calote de R$ 3,6 bilhões causado por uma única empresa
A preocupação cresceu depois que o banco revelou, no balanço do último trimestre do ano, um calote de R$ 3,6 bilhões causado por uma única empresa Crédito: Agência Brasil

Mesmo fechando 2025 com um lucro alto, R$ 20,7 bilhões, o Banco do Brasil entrou no radar do mercado por outro motivo: o aumento no número de clientes que estão atrasando o pagamento de empréstimos.

A preocupação cresceu depois que o banco revelou, no balanço do último trimestre do ano, um calote de R$ 3,6 bilhões causado por uma única empresa. Segundo o banco, a dívida entrou em atraso no fim de 2025, foi regularizada em janeiro de 2026 e depois repassada a terceiros. Ainda assim, o caso acendeu um alerta sobre um problema maior: mais clientes estão demorando para pagar suas dívidas.

No fim de 2025, aumentou a quantidade de pessoas e empresas que ficaram mais de três meses sem pagar parcelas de empréstimos. Esse índice chegou a 5,17%, acima dos 4,51% do trimestre anterior e bem maior que os 3,16% registrados um ano antes.

Mesmo se o banco desconsiderar o calote bilionário, o índice ainda ficaria alto: 4,88%.

Na prática, isso significa que cresceu o risco de o banco não receber parte do dinheiro que emprestou.

Comparação com outros bancos

Entre os grandes bancos tradicionais, o Banco do Brasil terminou o ano com o maior índice de atrasos:

• Banco do Brasil: 5,2%

• Itaú Unibanco: 2,4%

• Santander Brasil: 3,7%

• Bradesco: 4,1%

• Nubank: 6,6% (dado do 2º trimestre)

O agronegócio é o principal motivo

O Banco do Brasil é o maior financiador do setor no país e tem uma ligação histórica com produtores rurais. Só em dezembro de 2025, o banco tinha R$ 406,1 bilhões emprestados para o agro, quase um terço de tudo o que o banco emprestou no total.

No Plano Safra 2025/2026, entre julho e dezembro, foram liberados mais de R$ 116 bilhões para o setor.

O problema é que o campo enfrentou um ano difícil. Secas, enchentes e outros eventos climáticos prejudicaram a produção. Além disso, muitos produtores já estavam endividados e sofreram com juros altos.

Como o Banco do Brasil empresta muito para o agro, acaba sendo mais afetado quando o setor passa por dificuldades.

Hoje, os atrasos estão crescendo principalmente entre produtores rurais de médio porte e também entre micro, pequenas e médias empresas.

O que isso significa?

Apesar do lucro bilionário, o banco vive um momento de atenção. Quanto mais clientes deixam de pagar em dia, maior é o risco de prejuízo no futuro.

Em resumo: o Banco do Brasil continua lucrando, mas o aumento dos atrasos, especialmente no agronegócio, acendeu um sinal de alerta sobre a qualidade dos empréstimos concedidos.

Com informações do G1