BC puxa o freio de mão da Selic com corte tímido de juros diante de inflação e tensões globais

Taxa básica cai para 14,25% ao ano na terceira redução seguida.

Publicado em 18 de junho de 2026 às 10:13

BC puxa o freio de mão da Selic com corte tímido de juros diante de inflação e tensões globais
BC puxa o freio de mão da Selic com corte tímido de juros diante de inflação e tensões globais Crédito: MARCELLO CASAL JRAGÊNCIA BRASIL

O Banco Central deu mais um passo na tentativa de afrouxar o aperto no bolso dos brasileiros, mas o movimento foi comedido. Nesta quarta-feira (17), o Comitê de Política Monetária (Copom) anunciou uma redução de 0,25 ponto percentual na Selic, a taxa básica de juros do país, que agora passa a valer 14,25% ao ano. Embora seja o terceiro recuo consecutivo da taxa, o ritmo lento mostra que a autoridade monetária prefere agir com cautela para evitar que o custo de vida saia de controle no Brasil.

A decisão de cortar a Selic busca dar um estímulo gradual para a economia. Quando os juros caem, a tendência é que o crédito fique menos sufocante para quem compra parcelado, usa o cartão de crédito ou planeja um financiamento imobiliário. Esse cenário contrasta com o fantasma vivido entre junho de 2025 e março deste ano, período em que a taxa ficou travada em 15% ao ano, alcançando o maior patamar visto em quase duas décadas.

O que impede o Banco Central de ser mais ousado e cortar os juros de forma mais agressiva é o cenário externo. Em seu comunicado, o comitê destacou que o prolongamento dos conflitos armados no Oriente Médio e a falta de clareza sobre um acordo de paz continuam afetando os preços de produtos básicos em todo o mundo. A instabilidade internacional encarece combustíveis e alimentos, gerando um efeito cascata que bate direto no mercado nacional e obriga países emergentes, como o Brasil, a manterem uma postura defensiva.

Internamente, os desafios também não são simples. No primeiro trimestre deste ano, a atividade econômica doméstica deu sinais de aceleração, puxada pelo comércio e por um mercado de trabalho que segue aquecido. Embora o movimento seja bom para o emprego, ele joga contra o controle dos preços. As previsões do mercado financeiro coletadas pela pesquisa Focus apontam que a inflação deve fechar 2026 em 5,30% e 2027 em 4,10%, estourando o teto máximo de tolerância de 4,50% estipulado pelo Conselho Monetário Nacional (cuja meta central é de 3%).

O Banco Central reforçou que os próximos passos vão depender do comportamento do mercado nos meses seguintes. A meta agora é garantir que o índice de preços retorne para o centro do alvo até o início de 2028, equilibrando a atividade econômica sem permitir que o poder de compra da população seja corroído.