Bradesco corta mais de 3 mil vagas e fecha centenas de agências em um ano

Mesmo com lucro bilionário, banco reduziu quadro de funcionários, encerrou unidades e concentrou contratações em áreas estratégicas.

Publicado em 3 de junho de 2026 às 15:21

Mesmo com lucro bilionário, banco reduziu quadro de funcionários, encerrou unidades e concentrou contratações em áreas estratégicas.
Mesmo com lucro bilionário, banco reduziu quadro de funcionários, encerrou unidades e concentrou contratações em áreas estratégicas. Crédito: Reprodução 

Nos últimos 12 meses, o Bradesco promoveu uma ampla reestruturação que resultou no desligamento de mais de 3 mil funcionários e no fechamento de 346 agências em todo o país. No mesmo período, mais de 1 mil postos de atendimento deixaram de operar, evidenciando uma das maiores reorganizações recentes entre os grandes bancos brasileiros.

Os números mostram a dimensão das mudanças implementadas pela instituição. Apenas em um trimestre, cerca de 1.700 colaboradores foram desligados. Na prática, isso representa uma média diária de 10 a 12 funcionários deixando o banco enquanto as atividades continuavam normalmente nas agências espalhadas pelo país.

A reestruturação não ficou restrita ao quadro de pessoal. O Bradesco também reduziu sua presença física com o encerramento de unidades e determinou o retorno ao trabalho presencial para aproximadamente 900 profissionais das áreas de investimentos e tesouraria, encerrando o regime de home office para esses trabalhadores.

As medidas têm gerado críticas de sindicatos bancários, que apontam aumento da carga de trabalho para as equipes remanescentes e possíveis impactos na qualidade do atendimento aos clientes após o fechamento de agências e postos de serviço.

O cenário chama atenção porque ocorre em um momento de resultados financeiros positivos para o banco. No primeiro trimestre de 2026, o Bradesco registrou lucro recorrente de R$ 6,8 bilhões.

Ao mesmo tempo em que reduz sua estrutura tradicional, a instituição mantém contratações em áreas consideradas estratégicas. O banco anunciou a abertura de vagas voltadas ao segmento de alta renda em diferentes regiões do país.

No entanto, as novas oportunidades não representam uma compensação direta pelas vagas eliminadas. As contratações estão concentradas em setores específicos e seguem uma dinâmica diferente daquela observada nas áreas que passaram por cortes.

O resultado é um cenário de contrastes dentro da própria instituição. De um lado, o fechamento de unidades e a redução significativa do quadro de funcionários. De outro, a expansão de equipes voltadas ao atendimento de clientes de alta renda, segmento considerado prioritário para a estratégia de negócios do banco.

As mudanças refletem uma reorganização interna que busca adequar a operação às novas demandas do mercado financeiro, enquanto levanta debates sobre os impactos para trabalhadores e clientes.