Publicado em 31 de agosto de 2026 às 15:45
Os governos do Brasil e dos Estados Unidos (EUA) retomam nesta segunda-feira (31) as negociações bilaterais sobre o comércio entre as duas nações. A reabertura dos canais de diálogo ocorre após a Casa Branca aplicar, de forma unilateral, uma barreira alfandegária de 25% sobre parcela das importações de produtos brasileiros no final de julho.>
A volta à mesa de conversas foi viabilizada por meio de uma articulação direta entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, que conversaram por telefone no dia 21 de agosto. Na ocasião, o líder brasileiro enfatizou que as sobretaxas norte-americanas são infundadas, cenário que levou Trump a sugerir que as equipes técnicas de ambos os países retomassem os contatos.>
Para justificar a tarifa de 25% aplicada exclusivamente ao Brasil, a gestão Trump amparou-se em uma investigação realizada pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR). O órgão alega que o Brasil adota práticas desleais de comércio, apontando restrições no acesso estrangeiro ao mercado nacional de etanol e o modelo de pagamentos eletrônicos instantâneos brasileiro, o Pix.>
Além desse imposto, o Brasil tornou-se alvo de outra taxação de 12,5% por parte de Washington, sob a justificativa de supostas falhas no combate ao trabalho forçado. Essa mesma alegação foi estendida pelos EUA para tarifar simultaneamente a União Europeia e outros 59 países.>
Na avaliação das autoridades brasileiras, essa segunda barreira de 12,5% foi formulada pelos assessores de Donald Trump com o intuito de contornar uma derrota judicial. O mecanismo teria sido desenhado para substituir de forma legal um tarifaço anterior que acabou derrubado pela Suprema Corte dos Estados Unidos em fevereiro de 2026.>
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil contesta veementemente as alegações norte-americanas e sustenta que os tarifaços possuem motivação estritamente política. De acordo com o chanceler Mauro Vieira, os negociadores enviados por Washington vinham demandando a abertura total dos mercados brasileiros sem apresentar qualquer tipo de contrapartida comercial equivalente para os exportadores do país.>
Nos bastidores diplomáticos, o governo brasileiro avalia que a postura agressiva da Casa Branca faz parte de uma ofensiva mais ampla para reafirmar a proeminência econômica dos EUA sobre a América Latina. Esse movimento visa conter a expansão da influência comercial que a China vem consolidando na região ao longo das últimas décadas. Adicionalmente, analistas em Brasília enxergam as medidas tarifárias como uma tentativa deliberada de influenciar os rumos das eleições gerais no Brasil, marcadas para o mês de outubro.>
Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Ana Cássia Sousa.>