Brasil reage a tarifaço de Trump e promete retaliar EUA com Lei de Reciprocidade

Após Washington confirmar sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, governo Lula classifica medida como "marco lastimável".

Publicado em 16 de julho de 2026 às 07:23

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT Crédito: Ricardo Stuckert - PR

A tensão diplomática e econômica entre Brasil e Estados Unidos atingiu o seu patamar mais crítico. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva repudiou com veemência, nesta quinta feira (16), a confirmação de que a gestão de Donald Trump aplicará uma sobretaxa de 25% sobre uma ampla lista de produtos brasileiros a partir do próximo dia 22 de julho. Em nota oficial, o Palácio do Planalto classificou a decisão como um "marco lastimável" na história das relações bilaterais e anunciou que reagirá imediatamente acionando os mecanismos de retaliação previstos na recém-aprovada Lei de Reciprocidade, além de recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC).

A ofensiva tarifária de Washington é o resultado de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, iniciada em julho de 2025. O governo brasileiro argumenta que a punição unilateral é totalmente injustificada, destacando que os EUA acumularam um superávit comercial de 424,5 bilhões de dólares com o Brasil nos últimos 15 anos e que a maior parte dos produtos americanos entra em território nacional sem pagar impostos. O Planalto também classificou como descabidas e absurdas as alegações americanas que tentam atacar a regulação de plataformas digitais, as políticas de combate ao desmatamento e o Pix, definido na nota como um "patrimônio do povo brasileiro e referência internacional".

Para blindar o mercado interno e mitigar os estragos na indústria nacional, a gestão federal desenhou uma estratégia de reação dividida em três frentes principais: a busca por novos parceiros comerciais para diversificar as exportações, o socorro financeiro e técnico às empresas nacionais prejudicadas por meio do Plano Brasil Soberano e a aplicação de barreiras fiscais equivalentes contra produtos vindos dos EUA usando a Lei de Reciprocidade. Paralelamente, o governo brasileiro subiu o tom político ao associar diretamente a investigação norte-americana a uma colaboração ativa da família do ex-presidente Jair Bolsonaro, acusando seus opositores de agirem como "falsos patriotas" movidos por interesses eleitorais para prejudicar a economia do próprio país.

De acordo com as regras publicadas pelo USTR, a nova tarifa de 25% será somada às alíquotas de importação já existentes e afetará mercadorias que entrarem nos EUA a partir da data de vigência, abrindo exceção apenas para cargas embarcadas antes de 22 de julho que desembarcarem no destino até o dia 29. Enquanto o governo americano rejeitou os apelos de isenção de setores importantes como calçados, aço, papel, máquinas agrícolas e açúcar orgânico, a lista final poupou alguns itens considerados estratégicos ou escassos no mercado norte-americano, como aeronaves civis, café solúvel, ferro gusa, produtos farmacêuticos, mel orgânico, pescados e obras de arte.