Publicado em 16 de julho de 2026 às 07:57
A decisão dos Estados Unidos de aplicar um imposto extra de 25% sobre as importações brasileiras, com início marcado para o dia 22 de julho, está longe de ser um movimento impulsivo. Um relatório detalhado do Escritório do Representante Comercial norte americano (USTR) aponta que o chamado tarifaço é o resultado de uma investigação profunda sobre práticas que, segundo Washington, favorecem o mercado brasileiro de forma injusta e prejudicam empresas americanas há décadas. O governo comandado por Donald Trump utiliza essa taxa adicional, amparada por uma lei comercial de 1974, como uma forte ferramenta de pressão econômica para tentar forçar o Brasil a mudar suas regras internas de comércio e regulação.>
Entre as queixas americanas, a que mais chama atenção é o ataque direto ao Pix. Para os analistas econômicos dos Estados Unidos, o sistema de transferências instantâneas e gratuitas criado pelo Banco Central brasileiro atua como uma barreira regulatória que sufoca a atuação de grandes operadoras americanas de cartões e pagamentos digitais. O relatório oficial do governo americano acusa abertamente o Banco Central do Brasil de criar regras para blindar e promover o Pix como seu grande campeão nacional, impedindo que as concorrentes estrangeiras disputem o mercado local em condições de igualdade.>
A insatisfação de Washington também invade o campo jurídico e o meio ambiente. No setor digital, o relatório critica duramente as decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que ordenam a remoção de conteúdos falsos em redes sociais. Segundo as autoridades americanas, as plataformas de tecnologia dos Estados Unidos são submetidas a multas diárias pesadas e até ameaças de suspensão de suas operações no Brasil caso não cumpram as determinações judiciais. Já na questão ambiental, o governo norte americano afirma que a exploração ilegal de madeira no Brasil barateia o produto de forma ilícita, impossibilitando que a indústria madeireira dos Estados Unidos compita de forma justa nos mercados globais.>
A governança corporativa e a ética pública do Brasil também foram alvos de duras críticas no documento. Os investigadores citaram o desempenho ruim do país no Índice de Percepção da Corrupção, organizado pela Transparência Internacional, onde o Brasil obteve apenas 35 pontos e ficou estagnado na 107ª posição entre 182 nações avaliadas. Para os representantes comerciais dos Estados Unidos, esse cenário mostra que o Brasil se distanciou das regras internacionais de combate ao suborno, gerando insegurança para as empresas estrangeiras que tentam operar no país.>
Apesar da rigidez da nova cobrança, os norte americanos desenharam uma lista de isenções para proteger o próprio bolso e garantir o abastecimento de itens que eles não produzem em quantidade suficiente. Mercadorias brasileiras de grande apelo de consumo como café, açaí, carne bovina, suco de laranja, mel orgânico e minerais estratégicos conhecidos como terras raras foram poupados da nova taxação e continuarão entrando em território americano sem o acréscimo de 25% na semana que vem.>