Publicado em 18 de agosto de 2026 às 14:56
Os pedidos de recuperação judicial da Casas Bahia e da Marabraz, anunciados nesta semana, reacenderam um sinal de alerta no mercado financeiro. A preocupação é que os novos casos provoquem um efeito semelhante ao observado após a crise da Americanas, em 2023, quando bancos e investidores reduziram significativamente a oferta de crédito para empresas do varejo.>
Na época, a descoberta de inconsistências contábeis bilionárias na Americanas levou instituições financeiras a adotarem uma postura mais conservadora. O receio de que outras varejistas enfrentassem problemas semelhantes fez com que empréstimos fossem restringidos não apenas à companhia, mas também a fornecedores e concorrentes do setor.>
Dados do Banco Central mostram que, nos seis meses seguintes à revelação do rombo da Americanas, o volume de crédito concedido às empresas do varejo encolheu R$ 12 bilhões. A exposição dos bancos ao segmento caiu 5% no período, refletindo a maior cautela das instituições diante do risco de inadimplência.>
Agora, embora as origens das crises sejam diferentes, o temor de um novo aperto nas linhas de financiamento voltou a ganhar força. Enquanto a situação da Americanas esteve ligada a falhas contábeis e operações financeiras não registradas adequadamente, a recuperação judicial da Casas Bahia é atribuída principalmente aos efeitos prolongados dos juros elevados sobre um modelo de negócios fortemente dependente das vendas parceladas.>
A lista de credores apresentada pela Casas Bahia evidencia o peso do setor financeiro na recuperação da companhia. O Banco Digio, controlado pelo Bradesco, aparece como o maior credor, com R$ 2,6 bilhões a receber. Na sequência estão Banco do Brasil (R$ 2,4 bilhões), Bradesco (R$ 1,5 bilhão), Riza Gestora de Recursos (R$ 803 milhões) e Redasset Gestão (R$ 585 milhões).>
Especialistas avaliam que o impacto dessas recuperações judiciais pode ultrapassar as empresas diretamente envolvidas. Caso os bancos adotem novamente uma postura mais restritiva, varejistas de diferentes portes poderão enfrentar maior dificuldade para acessar crédito, o que tende a afetar investimentos, expansão dos negócios e até a manutenção das operações.>
O comportamento do crédito após a crise da Americanas reforça essa preocupação. Enquanto o varejo registrou retração no financiamento bancário, outros segmentos seguiram caminho oposto. No mesmo período, o crédito destinado à construção civil cresceu 8,4%, com aumento de R$ 8,7 bilhões, enquanto os serviços voltados às famílias tiveram leve alta de 0,4%. Já o setor de transportes manteve estabilidade em sua carteira de empréstimos.>
Diante desse histórico, o mercado acompanha de perto os desdobramentos dos processos envolvendo Casas Bahia e Marabraz. O temor é que os casos reforcem a percepção de risco no varejo e provoquem um novo ciclo de restrição ao crédito, dificultando ainda mais a recuperação de um setor que já enfrenta os desafios de juros elevados e consumo enfraquecido.>