Dólar dispara para maior patamar em três meses, mas Bolsa respira com 'ajuda' do Banco Central

Enquanto o cenário internacional de incertezas fez a moeda americana encostar nos R$ 5,19, o mercado de ações brasileiro conseguiu dar a volta por cima.

Publicado em 24 de junho de 2026 às 07:21

Dólar dispara para maior patamar em três meses, mas Bolsa respira com 'ajuda' do Banco Central
Dólar dispara para maior patamar em três meses, mas Bolsa respira com 'ajuda' do Banco Central Crédito: Reprodução/Agência Brasil

O mercado financeiro teve um dia de fortes emoções nesta terça-feira (23). O dólar subiu 0,89% e fechou cotado a R$ 5,187, o maior valor registrado em quase três meses, impulsionado por um clima de cautela que tomou conta de investidores no mundo todo. Por outro lado, a Bolsa de Valores brasileira (Ibovespa) conseguiu contrariar o mau humor externo: após abrir em queda, virou o jogo e encerrou o dia em alta de 0,52%, aos 171.258 pontos. O alívio local veio após o Banco Central detalhar seus próximos passos na economia.

O grande motor que salvou o dia na Bolsa brasileira foi a divulgação da ata do Copom (Comitê de Política Monetária). Na semana passada, o comunicado do Banco Central tinha deixado o mercado tenso por não esclarecer o futuro da taxa Selic. Desta vez, o documento trouxe o detalhamento que faltava: o BC sinalizou que pode interromper a sequência de quedas nos juros caso o cenário global continue instável. Em vez de assustar, essa transparência acalmou os investidores. O resultado foi a queda dos juros futuros e a valorização de ações de gigantes como a Petrobras e os grandes bancos, o que puxou a Bolsa para o azul.

O movimento de alta da moeda americana reflete o que o mercado chama de "aversão ao risco". Basicamente, quando o cenário mundial parece incerto, grandes investidores tiram dinheiro de países emergentes, como o Brasil, e o guardam na moeda mais segura do mundo, o dólar.

O principal motivo dessa cautela é a economia dos Estados Unidos. Dados recentes mostram que a atividade econômica por lá continua aquecida, o que pode fazer com que o Federal Reserve, o Banco Central americano, demore mais tempo para baixar seus juros. Para completar, o mercado mundial também aguarda com ansiedade dados econômicos europeus mais fracos e novos índices de inflação nos Estados Unidos para tentar adivinhar os próximos passos da maior economia do planeta.

Esse clima de instabilidade lá fora mexeu bastante com o mercado de ações em Nova York. O índice Nasdaq, muito focado em tecnologia, recuou cerca de 2% ao longo do dia. Essa queda ocorreu de forma natural, já que muitos investidores decidiram vender papéis de empresas de tecnologia e inteligência artificial para embolsar os lucros acumulados recentemente.

No setor de energia, as negociações geopolíticas também fizeram o preço do petróleo recuar. O mercado acompanhou de perto as conversas entre os Estados Unidos e o Irã que envolvem o Estreito de Ormuz, uma região estratégica para o transporte global da commodity.

Com a expectativa de uma possível flexibilização nas restrições ao petróleo iraniano e o consequente aumento da oferta mundial, o barril do tipo Brent, que serve de referência para a Petrobras, caiu 0,93% e fechou em US$ 76,80. Já o barril do Texas recuou 0,88%, encerrando o dia cotado a US$ 73,21.

O cenário global continua desafiador e pressiona o real, mas a clareza na comunicação do Banco Central brasileiro funcionou como um escudo para as ações nacionais, garantindo um dia de recuperação para a Bolsa de Valores.