EUA suspende tarifaço de Trump e pode beneficiar café solúvel, uva, mel e pescados do Brasil

Esses itens não foram contemplados nas duas rodadas de exceções anunciadas pelo governo americano no fim de 2025, que retiraram tarifas de 10% e 40% sobre parte das exportações brasileiras

Publicado em 20 de fevereiro de 2026 às 16:52

Esses itens não foram contemplados nas duas rodadas de exceções anunciadas pelo governo americano no fim de 2025, que retiraram tarifas de 10% e 40% sobre parte das exportações brasileiras.
Esses itens não foram contemplados nas duas rodadas de exceções anunciadas pelo governo americano no fim de 2025, que retiraram tarifas de 10% e 40% sobre parte das exportações brasileiras. Crédito: Reprodução

A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de suspender o “tarifaço” imposto por Donald Trump pode beneficiar produtos brasileiros que haviam ficado de fora de isenções anteriores, como café solúvel, uva, mel e pescados. Esses itens não foram contemplados nas duas rodadas de exceções anunciadas pelo governo americano no fim de 2025, que retiraram tarifas de 10% e 40% sobre parte das exportações brasileiras.

Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), as isenções anteriores abrangeram cerca de 55% do valor exportado pelo Brasil aos EUA em 2024. Entre os produtos beneficiados estavam o café em grão e a carne bovina — segundo e terceiro itens mais vendidos ao mercado americano, atrás apenas de produtos florestais. Já os 45% restantes incluíam setores com forte dependência dos EUA, como café solúvel, mel, uva e pescados.

Poucas horas após a decisão da Suprema Corte, Trump anunciou novas tarifas globais de 10% em sua rede social, afirmando que assinaria uma ordem executiva ainda no mesmo dia, mas sem detalhar quais produtos seriam atingidos.

Impactos por setor

Café solúvel

Em 2024, os Estados Unidos representaram 10% das exportações brasileiras de café solúvel. Diferentemente do café em grão, que foi isento, o solúvel continuou taxado.

O Brasil respondeu por 38% das importações americanas do produto no ano passado. No entanto, após a imposição da sobretaxa de 40% em julho, as exportações para os EUA caíram cerca de 50% entre agosto e outubro, na comparação anual. A Rússia, tradicionalmente segunda maior compradora, passou a liderar as aquisições, algo inédito para o setor.

Uva

Os EUA foram destino de 23% das exportações brasileiras de uva em 2024, gerando US$ 41,5 milhões em receita.

Apesar de a categoria “frutas frescas” constar na lista de exceções, a uva não foi incluída. Entre outubro e novembro, as vendas ao mercado americano caíram 73% na comparação anual. Parte da produção foi redirecionada para Europa e América do Sul, mas a redução da demanda afetou o poder de negociação e pressionou os preços.

Mel

O mel brasileiro já enfrentava tarifa de 8,04% antes do tarifaço, além da sobretaxa adicional de 50%.

Os Estados Unidos absorvem cerca de 80% das exportações brasileiras de mel natural, o que demonstra alta dependência do mercado americano. Apesar disso, contratos estavam garantidos até dezembro de 2025, segundo representantes do setor.

Pescados

As exportações de pescados para os EUA movimentam aproximadamente US$ 300 milhões por ano e representam quase metade das vendas externas do setor.

A manutenção das tarifas preocupa a indústria, especialmente pequenas e médias empresas e comunidades costeiras e ribeirinhas, que dependem fortemente do mercado americano. O setor defende maior prioridade nas negociações bilaterais para evitar perda de espaço para concorrentes internacionais.

Reação das entidades

A Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) afirmou que a decisão da Suprema Corte reforça a segurança jurídica nas relações comerciais. Outras entidades, como Abipesca, Abemel, Abrafrutas, Abics e Cecafé, informaram que ainda aguardam mais detalhes para avaliar os impactos. CNA, Abiec e ABPA disseram que não vão se pronunciar no momento.

Contexto das isenções

14 de novembro de 2025: retirada da tarifa recíproca de 10% para cerca de 200 produtos alimentícios de diversos países.

20 de novembro de 2025: suspensão da sobretaxa de 40% para mais de 200 produtos brasileiros, adicionados a uma lista anterior de quase 700 exceções.

A nova decisão da Suprema Corte pode ampliar o alívio tarifário para setores que haviam sido excluídos, mas ainda há incerteza após o anúncio de possíveis novas tarifas globais.

Com informações do G1