Publicado em 20 de fevereiro de 2026 às 16:52
A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de suspender o “tarifaço” imposto por Donald Trump pode beneficiar produtos brasileiros que haviam ficado de fora de isenções anteriores, como café solúvel, uva, mel e pescados. Esses itens não foram contemplados nas duas rodadas de exceções anunciadas pelo governo americano no fim de 2025, que retiraram tarifas de 10% e 40% sobre parte das exportações brasileiras.
>
Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), as isenções anteriores abrangeram cerca de 55% do valor exportado pelo Brasil aos EUA em 2024. Entre os produtos beneficiados estavam o café em grão e a carne bovina — segundo e terceiro itens mais vendidos ao mercado americano, atrás apenas de produtos florestais. Já os 45% restantes incluíam setores com forte dependência dos EUA, como café solúvel, mel, uva e pescados.>
Poucas horas após a decisão da Suprema Corte, Trump anunciou novas tarifas globais de 10% em sua rede social, afirmando que assinaria uma ordem executiva ainda no mesmo dia, mas sem detalhar quais produtos seriam atingidos.>
Impactos por setor>
Café solúvel>
Em 2024, os Estados Unidos representaram 10% das exportações brasileiras de café solúvel. Diferentemente do café em grão, que foi isento, o solúvel continuou taxado.>
O Brasil respondeu por 38% das importações americanas do produto no ano passado. No entanto, após a imposição da sobretaxa de 40% em julho, as exportações para os EUA caíram cerca de 50% entre agosto e outubro, na comparação anual. A Rússia, tradicionalmente segunda maior compradora, passou a liderar as aquisições, algo inédito para o setor.>
Uva>
Os EUA foram destino de 23% das exportações brasileiras de uva em 2024, gerando US$ 41,5 milhões em receita.>
Apesar de a categoria “frutas frescas” constar na lista de exceções, a uva não foi incluída. Entre outubro e novembro, as vendas ao mercado americano caíram 73% na comparação anual. Parte da produção foi redirecionada para Europa e América do Sul, mas a redução da demanda afetou o poder de negociação e pressionou os preços.>
Mel>
O mel brasileiro já enfrentava tarifa de 8,04% antes do tarifaço, além da sobretaxa adicional de 50%.>
Os Estados Unidos absorvem cerca de 80% das exportações brasileiras de mel natural, o que demonstra alta dependência do mercado americano. Apesar disso, contratos estavam garantidos até dezembro de 2025, segundo representantes do setor.>
Pescados>
As exportações de pescados para os EUA movimentam aproximadamente US$ 300 milhões por ano e representam quase metade das vendas externas do setor.>
A manutenção das tarifas preocupa a indústria, especialmente pequenas e médias empresas e comunidades costeiras e ribeirinhas, que dependem fortemente do mercado americano. O setor defende maior prioridade nas negociações bilaterais para evitar perda de espaço para concorrentes internacionais.>
Reação das entidades>
A Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) afirmou que a decisão da Suprema Corte reforça a segurança jurídica nas relações comerciais. Outras entidades, como Abipesca, Abemel, Abrafrutas, Abics e Cecafé, informaram que ainda aguardam mais detalhes para avaliar os impactos. CNA, Abiec e ABPA disseram que não vão se pronunciar no momento.>
Contexto das isenções>
14 de novembro de 2025: retirada da tarifa recíproca de 10% para cerca de 200 produtos alimentícios de diversos países.>
20 de novembro de 2025: suspensão da sobretaxa de 40% para mais de 200 produtos brasileiros, adicionados a uma lista anterior de quase 700 exceções.>
A nova decisão da Suprema Corte pode ampliar o alívio tarifário para setores que haviam sido excluídos, mas ainda há incerteza após o anúncio de possíveis novas tarifas globais.>
Com informações do G1>