Publicado em 28 de setembro de 2026 às 18:06
Em meio ao prolongamento da guerra no Oriente Médio, o governo anunciou nesta segunda-feira (28) novas medidas para tentar conter a alta dos preços dos combustíveis provocada pela elevação da cotação internacional do petróleo, cujo barril permanece acima de US$ 100.>
Entre as ações estão a manutenção da subvenção de R$ 2,12 por litro de diesel, anunciada no último sábado, novas fiscalizações em postos e distribuidoras e o aumento das multas para empresas que praticarem condutas consideradas abusivas.>
Subvenção ao diesel>
O Ministério da Fazenda publicou, na sexta-feira (25) à noite, a Portaria nº 2.946/2026, que mantém a subvenção de R$ 2,12 por litro de óleo diesel.>
Com o fim da vigência da Medida Provisória (MP) 1.363, o benefício passa a ser integralmente amparado pela MP 1.391, editada no último dia 11.>
A medida faz parte da estratégia adotada pelo governo para reduzir os efeitos da volatilidade dos preços internacionais do petróleo e dos combustíveis.>
Operação Carga Pesada>
Outra frente de atuação é a Operação Carga Pesada, que reúne órgãos federais e Procons de todo o país para fiscalizar possíveis aumentos considerados injustificados nas margens de lucro.>
De 21 a 25 de setembro, foram realizadas 241 ações de fiscalização:>
87 ações da Agência Nacional do Petróleo (ANP);>
86 ações dos Procons;>
12 ações da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) do Ministério da Justiça;>
30 ações conjuntas da ANP com Procons;>
26 ações conjuntas da ANP com a Senacon.>
A operação foi iniciada após uma reunião emergencial da Senacon com mais de 140 representantes de Procons.>
Segundo o governo, a mobilização levou em consideração a alta recente dos combustíveis, dados de fiscalizações anteriores e cerca de 330 denúncias recebidas pela ANP.>
Setenta processos>
Além das novas fiscalizações, a Senacon abriu 70 processos administrativos sancionadores contra postos e distribuidoras.>
Os procedimentos foram instaurados a partir de autos de infração encaminhados anteriormente pela ANP.>
A apuração busca verificar possíveis práticas abusivas relacionadas aos preços dos combustíveis.>
Multas de R$ 700 milhões>
A ANP também determinou multas que, somadas, ultrapassam R$ 700 milhões contra distribuidoras de combustíveis por elevação abusiva de preços.>
As penalidades resultam de fiscalizações realizadas anteriormente e de decisões de primeira instância administrativa em processos decorrentes de autos de infração.>
As empresas ainda podem recorrer das decisões.>
Segundo a ANP, os casos envolvem condutas praticadas durante a vigência das MPs 1.340 e 1.349, que deram à agência atribuição para fiscalizar aumentos considerados abusivos nos preços.>
Em alguns dos casos analisados, a margem bruta das distribuidoras teria aumentado em mais de 1.350%, segundo as decisões administrativas citadas pelo governo.>
Punições maiores>
O governo também endureceu as penalidades para determinadas práticas abusivas no setor de combustíveis.>
A MP 1.393, publicada na sexta-feira (25), alterou o Código de Defesa do Consumidor (CDC) e estabeleceu multas específicas para infrações cometidas por agentes da cadeia de combustíveis.>
Entre as condutas previstas está a elevação de preços sem justa causa. Nesses casos, a multa administrativa poderá variar de R$ 20 mil a R$ 500 milhões.>
A nova regra determina que, para essas infrações, não será aplicado o limite geral de multa previsto no Código de Defesa do Consumidor.>
Diesel garantido>
Apesar da pressão sobre os preços internacionais, o governo afirma que o abastecimento de diesel no país está garantido.>
Para outubro, a demanda estimada é de 3,95 milhões de metros cúbicos, enquanto a oferta confirmada chega a 3,978 milhões de metros cúbicos.>
O país também dispõe de estoques de aproximadamente 1,97 milhão de metros cúbicos, volume estimado pelo governo como suficiente para cerca de 15 dias de consumo.>
Monitoramento semanal>
Desde março, uma mesa coordenada pelo Ministério de Minas e Energia (MME) acompanha semanalmente o mercado de combustíveis.>
Participam do grupo órgãos públicos e representantes do setor privado.>
O monitoramento considera, entre outros pontos:>
cenário internacional do petróleo;>
fluxos de importação;>
distribuição de combustíveis;>
projeções de demanda;>
riscos para o abastecimento nacional.>
O acompanhamento tem horizonte de dois meses e busca antecipar eventuais problemas de oferta.>
Com as novas medidas, o governo combina a manutenção do subsídio ao diesel com fiscalização de preços, processos administrativos e aumento das penalidades para agentes do setor.>
Agência Brasil >