Inflação desacelera em junho puxada por queda no preço dos alimentos

Índice oficial fecha em 0,16% e traz um leve respiro para o bolso dos brasileiros.

Publicado em 10 de julho de 2026 às 10:11

Inflação desacelera em junho puxada por queda no preço dos alimentos
Inflação desacelera em junho puxada por queda no preço dos alimentos Crédito: Reprodução/Freepik

O bolso dos brasileiros ganhou uma trégua no mês passado. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, divulgado pelo IBGE nesta sexta-feira (10), revelou que a inflação de junho ficou em apenas 0,16%. O resultado representa uma desaceleração expressiva em comparação aos 0,58% registrados em maio e surpreendeu positivamente os analistas do mercado, que previam uma alta maior, de 0,31%. Essa foi a menor taxa mensal apurada desde outubro do ano passado, fazendo com que o acumulado dos últimos 12 meses recuasse para 4,64%.

O grande herói desse alívio temporário foi o setor de alimentos e bebidas, que registrou uma queda média de 0,24% após ter pressionado o orçamento das famílias no mês anterior. Quem cozinhou em casa sentiu uma redução de 0,39% nos custos, impulsionada principalmente pelas baixas nos preços do café moído, das frutas e das carnes. Por outro lado, o feijão-carioca e a batata-inglesa seguiram o caminho inverso e ficaram mais caros, impedindo um alívio ainda maior na hora de passar as compras no caixa. Outro sinal positivo foi o índice de difusão, que caiu para 54%, mostrando que o aumento de preços está menos espalhado pela economia.

Apesar da calmaria nos supermercados, o grupo de habitação continuou pesando no orçamento doméstico com um avanço de 0,63%. O grande vilão individual foi a conta de luz residencial, que subiu 1,53% devido à manutenção da bandeira tarifária amarela, taxa que adiciona uma cobrança extra a cada 100 kWh consumidos. No setor de transportes, o cenário foi de leve alta.

Embora os combustíveis como etanol e gasolina tenham ficado um pouco mais baratos nas bombas, as passagens aéreas dispararam mais de 7% e puxaram o indicador para cima. Já o setor de serviços mostrou uma sutil desaceleração, acumulando uma alta de 5,90% em 12 meses.

O cenário econômico futuro, contudo, ainda exige cautela por conta de fatores climáticos, como os impactos do El Niño, e de conflitos geopolíticos. Devido aos recentes atritos diplomáticos entre Estados Unidos e Irã, que afetam diretamente o mercado de combustíveis e o Oriente Médio, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, confirmou que o governo adiou para a próxima semana a decisão de retirar a subvenção da gasolina.

Pensando no controle de longo prazo, o Banco Central optou recentemente por reduzir a taxa básica de juros, a Selic, para 14,25% ao ano. A estratégia da instituição prevê alternar momentos de pausa e novos cortes para tentar guiar o país rumo à meta inflacionária de 3,0% até o início de 2028, já que as projeções do mercado apontam para uma inflação de 5,30% ainda este ano e de 4,18% para o próximo ano.