Inflação dos alimentos dispara e empurra o custo de vida das famílias de baixa renda em maio

Puxado pela alta da comida, o indicador INPC atinge 0,65% no mês e acumula alta de 4,42% em um ano, pressionando o poder de compra e o cálculo de futuros reajustes salariais.

Publicado em 12 de junho de 2026 às 12:30

Inflação dos alimentos dispara e empurra o custo de vida das famílias de baixa renda em maio
Inflação dos alimentos dispara e empurra o custo de vida das famílias de baixa renda em maio Crédito: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O custo de vida ficou mais caro para a maior parte dos trabalhadores brasileiros no último mês, impulsionado principalmente pelo preço da comida na mesa. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, divulgou nesta sexta-feira (12) que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor, o INPC, fechou o mês de maio com uma alta de 0,65%. Com esse avanço mensal, o indicador, que monitora os hábitos de consumo e a variação de preços para famílias com rendimentos entre um e cinco salários mínimos, passou a acumular uma elevação de 4,42% no acumulado dos últimos doze meses.

A grande vilã do orçamento doméstico no período foi a categoria de produtos alimentícios, que registrou um salto expressivo de 1,33% em apenas um mês. Em contrapartida, os artigos não alimentícios, como vestuário e serviços, tiveram um comportamento bem mais tímido, avançando 0,43%. Essa disparidade atinge em cheio as camadas mais vulneráveis da população assalariada, uma vez que o IBGE confere pesos diferentes para os gastos de cada faixa de renda. No INPC, a alimentação responde por um quarto de todo o índice, cerca de 25%, justamente porque as famílias que ganham menos comprometem uma fatia muito maior do seu orçamento para comprar comida do que aquelas com maior poder aquisitivo.

Para se ter uma base de comparação sobre o cenário econômico atual, o instituto também apresentou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA, considerado a inflação oficial do país. O IPCA abrange uma faixa mais ampla, de lares que recebem de um até 40 salários mínimos, considerando o valor base atual de R$ 1.621. Em maio, a inflação oficial ficou em 0,58%, acumulando 4,72% em doze meses. A diferença nos resultados se explica pela dinâmica de consumo: itens de luxo ou passagens aéreas pesam bastante no IPCA, mas têm pouca relevância no INPC, onde o foco total é medir a variação da cesta básica da população de menor rendimento.

Os dados do INPC têm impacto profundo e direto no planejamento financeiro do país, pois o indicador é a principal ferramenta utilizada por sindicatos e empresas para calcular a correção anual dos salários de diversas categorias profissionais. O índice acumulado também dita os rumos de benefícios sociais importantes. O cálculo do salário mínimo, por exemplo, utiliza o fechamento do índice no mês de novembro, enquanto as parcelas do seguro desemprego, o teto da previdência e as aposentadorias de quem ganha acima do piso nacional são reajustadas com base no acumulado fechado em dezembro.

A pesquisa de preços para compor esses índices é realizada de forma contínua em dez regiões metropolitanas, incluindo capitais como Belém, São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre, além de cidades populosas como Brasília, Goiânia e Campo Grande.

Com informações da Agência Brasil.