Isenção do IR para salários de até R$ 5 mil começa a aparecer no contracheque de trabalhadores

Nova tabela do Imposto de Renda entra em vigor em 2026, beneficia cerca de 16 milhões de pessoas e reduz descontos para quem ganha até R$ 7.350.

Publicado em 1 de fevereiro de 2026 às 17:48

Isenção do IR para salários de até R$ 5 mil começa a aparecer no contracheque de trabalhadores
Isenção do IR para salários de até R$ 5 mil começa a aparecer no contracheque de trabalhadores Crédito: Reprodução/Agência Brasil

Os primeiros reflexos da atualização da tabela do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) já começaram a chegar ao bolso de milhões de brasileiros. A partir dos salários pagos desde janeiro, com efeito percebido nos contracheques deste mês, trabalhadores que recebem até R$ 5 mil brutos mensais passaram a ficar totalmente livres do desconto do imposto, enquanto faixas intermediárias contam com redução gradual da retenção na fonte.

A mudança, segundo estimativas do Ministério da Fazenda, deve alcançar aproximadamente 16 milhões de contribuintes em todo o país. Na prática, o valor que antes seguia direto para os cofres da União agora permanece na conta do trabalhador, ajudando a equilibrar despesas básicas do dia a dia.

É o caso do pedreiro Genival Gil, de 49 anos, morador do Paranoá, no Distrito Federal. Com salário pouco acima de R$ 2,7 mil e carteira assinada há apenas três meses, ele aguarda o próximo pagamento para confirmar a diferença. “Esse dinheiro vai fazer falta nenhuma para o governo, mas para mim ajuda muito. Já sei que vai servir para pagar mais contas de casa”, planeja.

Pela nova regra, ficam integralmente isentos do IRPF profissionais com renda mensal total de até R$ 5 mil, incluindo trabalhadores formais, servidores públicos, aposentados e pensionistas do INSS ou de regimes próprios. O benefício também se estende ao décimo terceiro salário. Já quem recebe entre R$ 5.001 e R$ 7.350 passa a pagar menos imposto, de forma progressiva. Acima desse valor, segue valendo a tabela atual, com alíquotas que chegam a 27,5%.

No cotidiano, a medida tem sido recebida como um alívio necessário. O jardineiro Arnaldo Manuel Nunes, de 55 anos, que trabalha em um shopping de Brasília e ganha o piso da categoria, R$ 2.574, vê a mudança como um respiro para o orçamento doméstico. “O salário mal dá para se manter. Agora, pelo menos, esse dinheiro vai direto para água e luz, que estão pela hora da morte”, comenta.

Apesar do impacto direto, nem todos os trabalhadores estão plenamente informados sobre a nova tabela. Nas ruas, muitos ainda desconhecem que deixarão de pagar o imposto. A atendente de farmácia Renata Corrêa, por exemplo, se surpreendeu ao saber que, com o salário de R$ 1.620, não terá mais desconto de IR. “Vou guardar esse dinheiro. Pode virar uma reserva para o fim do ano ou para uma emergência”, diz. Moradora de Santo Antônio do Descoberto (GO), ela afirma que pretende alertar os colegas. “Agora vou conferir o contracheque com lupa para ver se está tudo certo.”

Especialistas reforçam que, para quem tem carteira assinada, a aplicação da nova tabela é automática. O integrante do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), Adriano Marrocos, explica que não há necessidade de solicitação por parte do trabalhador. “Os sistemas de folha de pagamento já fazem os cálculos considerando a isenção, o redutor adicional e o desconto simplificado. O empregado só precisa acompanhar o contracheque”, orienta.

A expectativa positiva também alcança quem ganha menos. A cozinheira Elisabete Silva Ribeiro dos Santos, de 48 anos, que recebe cerca de R$ 1,7 mil em um restaurante no centro de Brasília, já faz planos. “Se sobrar um pouquinho todo mês, quero juntar para comprar um carro. Venho de ônibus todos os dias do Recanto das Emas”, conta.

Embora o alívio seja imediato no salário, o efeito da nova tabela na declaração anual do Imposto de Renda só será percebido mais adiante. Segundo o Ministério da Fazenda, as mudanças só impactarão a declaração de 2027, que levará em conta os rendimentos de 2026. Para a declaração que deve ser entregue neste ano, nada se altera.

Marrocos destaca ainda que a dispensa de entrega da declaração não depende apenas do salário mensal. “Entram na conta rendimentos isentos, rendimentos tributados na fonte, bens e até múltiplas fontes de renda. Quem recebe de mais de um lugar pode ter que complementar o imposto, mesmo ganhando menos de R$ 5 mil em cada vínculo”, explica.

Enquanto isso, para milhões de brasileiros, a sensação é de que a matemática ficou um pouco mais justa.