Mercado de stablecoins no Brasil: crescimento acelerado impulsiona pagamentos e remessas

O Brasil é o país da América Latina onde mais se usam as stablecoins. São usados para pagamentos, remessas internacionais, operações comerciais e muito mais.

Publicado em 17 de agosto de 2026 às 11:56

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Os dados não deixam margem para dúvidas. O Brasil é o país da América Latina onde mais se usam as stablecoins. São usados para pagamentos, remessas internacionais, operações comerciais e muito mais. Fica clara portanto que a importância das stablecoins, onde a usdc se destaca, no país. Elas já representam cerca de 90% de toda a atividade cripto brasileira, muito acima dos 62% que se verifica na Argentina, por exemplo.

Stablecoins dominam a atividade cripto no Brasil

A adoção das stablecoins entre os brasileiros continua crescendo. Uma pesquisa realizada no ano passado revelou que 92% dos usuários de criptomoedas no Brasil possuem stablecoins em suas carteiras.

Além disso, 85% dos entrevistados afirmaram ter interesse em utilizar esses ativos para compras do dia a dia, incluindo supermercados e lojas online. Apesar desse interesse elevado, apenas 54% disseram já ter realizado algum pagamento utilizando criptomoedas, indicando um potencial significativo de crescimento para o setor.

O levantamento mostra que as stablecoins estão deixando de ser apenas instrumentos de investimento para se tornarem ferramentas financeiras utilizadas em aplicações práticas.

Inflação, remessas e comércio exterior impulsionam a demanda

Diversos fatores explicam a popularidade das stablecoins no Brasil. Um deles é a busca por proteção contra oscilações cambiais e períodos de inflação mais elevada.

Embora a inflação brasileira esteja atualmente próxima de 5%, muitos investidores continuam recorrendo a ativos atrelados ao dólar para preservar valor.

As remessas internacionais também desempenham um papel importante. O Brasil recebe bilhões de dólares anualmente de brasileiros residentes no exterior, especialmente dos Estados Unidos e da Europa. Nesse cenário, as stablecoins oferecem uma alternativa mais rápida e econômica em comparação com transferências bancárias tradicionais, que podem levar dias para serem concluídas e cobrar taxas superiores a 6%.

Estima-se que cerca de 90% dos fluxos de criptomoedas, que devem ser declaradas no Imposto de Renda, relacionados a remessas utilizem stablecoins, principalmente em operações de conversão entre reais e dólares.

O comércio internacional é outro motor de crescimento. Empresas exportadoras e importadoras utilizam stablecoins para reduzir custos, acelerar liquidações e minimizar riscos cambiais em transações internacionais.

USDC na remuneração de profissionais remotos brasileiros

O crescimento do trabalho remoto internacional abriu uma nova frente de adoção para as stablecoins no Brasil. Profissionais brasileiros que prestam serviços a empresas estrangeiras, especialmente nos setores de tecnologia, design e marketing digital, passaram a receber remuneração diretamente em USDT ou USDC, contornando os longos prazos e burocracia associados às transferências internacionais convencionais.

Para freelancers e trabalhadores remotos, a vantagem é dupla: recebem em ativos indexados ao dólar, protegendo os rendimentos da desvalorização cambial, e têm acesso imediato aos fundos sem depender de correspondentes bancários. Plataformas internacionais de contratação já disponibilizam pagamento em stablecoins como opção nativa, o que tem acelerado a adesão entre profissionais independentes brasileiros.

Estimativas do setor apontam que o Brasil concentra uma das maiores populações de freelancers da América Latina, com mais de 17 milhões de profissionais autónomos — um mercado com potencial expressivo para a expansão das stablecoins como instrumento de remuneração global.

Stablecoins e Pix podem coexistir

Embora o Pix tenha revolucionado os pagamentos digitais no Brasil, ele não eliminou a necessidade de stablecoins.

O sistema do Banco Central processou 42 bilhões de transações em 2023, registrando crescimento anual de 74% e ultrapassando os cartões de crédito e débito em volume de operações.

Entretanto, o Pix continua limitado ao ambiente doméstico e às transações em reais. Já as stablecoins oferecem liquidação internacional quase instantânea, permitindo pagamentos globais e remessas transfronteiriças com maior eficiência.

Por isso, especialistas acreditam que as duas tecnologias são complementares. Enquanto o Pix domina os pagamentos locais, as stablecoins atendem demandas relacionadas ao comércio internacional, transferências globais e proteção cambial.

Fintechs impulsionam integração com o sistema financeiro

A expansão das stablecoins no Brasil conta com forte participação das fintechs e exchanges. Plataformas de ativos digitais têm ampliado o acesso a esses instrumentos, oferecendo compra, venda e custódia de stablecoins para milhões de usuários brasileiros.

A crescente concorrência entre operadores nacionais e internacionais reduziu barreiras de entrada e tornou o processo de aquisição de stablecoins tão simples quanto abrir uma conta bancária digital.

Essas integrações simples ajudam a reduzir barreiras de entrada e tornam o uso das stablecoins mais acessível para consumidores e empresas.

Regulação e desafios para o setor

O Banco Central do Brasil acompanha de perto a expansão desse mercado. Em maio de 2025, o diretor Renato Gomes alertou que o crescimento das stablecoins lastreadas em dólar pode aumentar a volatilidade dos fluxos de capital, uma vez que facilita a conversão entre reais e dólares fora dos canais tradicionais.

Ao mesmo tempo, o regulador reconhece o potencial da tecnologia e trabalha na construção de regras específicas para o setor.

Entre os desafios ainda presentes estão a baixa aceitação por parte dos comerciantes, questões relacionadas à experiência do usuário e riscos ligados a fraudes, golpes e ataques contra plataformas de custódia.