Petróleo despenca mais de 16% após anúncio de cessar-fogo entre EUA e Irã

Commodity recua para abaixo de US$ 100 com expectativa de retomada do fluxo no Estreito de Ormuz.

Publicado em 8 de abril de 2026 às 19:42

(Barril de petróleo)
(Barril de petróleo) Crédito: Reprodução/IA

O preço do petróleo registrou forte queda nesta quarta-feira (8), após o anúncio de um cessar-fogo temporário de duas semanas entre os Estados Unidos e o Irã, que prevê a reabertura imediata e segura do Estreito de Ormuz.

Os contratos futuros do Brent, referência global, fecharam em queda de 13,29%, a US$ 94,75 por barril. O WTI, referência americana, despencou 16,41%, negociado a US$ 94,41 o barril. Em alguns momentos do pregão, as perdas superaram 15%, configurando uma das maiores quedas diárias em anos.

A correção brusca reverte parte da forte alta acumulada em março, mês em que o conflito provocou o maior aumento mensal da história do petróleo, superior a 50%.

Reabertura do principal gargalo do mercado

O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo, esteve bloqueado ou severamente restrito durante o conflito. Analistas estimam que entre 10 e 13 milhões de barris por dia de óleo bruto e derivados estavam represados.

O presidente Donald Trump anunciou o acordo nas redes sociais, afirmando que os Estados Unidos suspenderiam os ataques ao Irã por duas semanas. “Este será um CESSAR-FOGO de dois lados!”, escreveu ele, horas antes do fim do ultimato que havia imposto a Teerã.

O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, confirmou que o Irã interromperá seus ataques e permitirá o trânsito seguro pelo estreito por duas semanas, em coordenação com as forças armadas iranianas, desde que os ataques contra o país cessem.

“Em teoria, a oferta retida deve ser liberada gradualmente”, comentou o analista Tamas Varga, da corretora PVM Oil.

Trégua frágil e riscos persistentes

Apesar do alívio imediato nos preços, o mercado permanece cauteloso. A trégua é temporária e depende de negociações, previstas para ocorrer no Paquistão, para se converter em um acordo de paz permanente.

Analistas alertam que, mesmo com um entendimento de longo prazo, o Irã pode voltar a ameaçar a rota estratégica no futuro, o que deve manter um prêmio de risco geopolítico elevado nos preços do petróleo.

Relatos de ataques isolados, incluindo suposto bombardeio a uma refinaria iraniana e lançamentos de mísseis na região do Golfo Pérsico, surgiram nesta quarta-feira, reforçando a fragilidade do cessar-fogo.

Reflexos no Brasil

Para o consumidor brasileiro, a queda acentuada do petróleo representa alívio no curto prazo sobre a inflação, especialmente nos preços de combustíveis, fretes e transporte público.

Por outro lado, a Petrobras e as empresas do setor de óleo e gás devem sentir impacto negativo na receita de exportação e na rentabilidade de projetos, após meses de preços elevados.

As bolsas mundiais reagiram positivamente ao alívio geopolítico, enquanto o dólar recuou frente a várias moedas emergentes, incluindo o real.

Mesmo após a forte queda, o petróleo ainda negocia cerca de 30% a 45% acima dos níveis anteriores ao conflito, indicando que parte do choque de oferta permanece precificada pelo mercado.

Com informações do portal CNN