PIB do Brasil avança 1,1% no início de 2026 e registra maior alta em um ano

Puxado pelo campo e pelos investimentos, resultado do primeiro trimestre faz economia brasileira movimentar R$ 3,3 trilhões.

Publicado em 29 de maio de 2026 às 11:58

PIB do Brasil avança 1,1% no início de 2026 e registra maior alta em um ano
PIB do Brasil avança 1,1% no início de 2026 e registra maior alta em um ano Crédito: José Cruz/Agência Brasil.

A economia brasileira começou o ano de 2026 com o pé no acelerador. Impulsionado pela força da agropecuária e pelo aumento nos investimentos, o Produto Interno Bruto (PIB) do país registrou um crescimento de 1,1% no primeiro trimestre em comparação com os últimos três meses do ano passado. O dado, apresentado pelo IBGE na manhã desta sexta-feira (29), representa a maior alta para o período desde o começo de 2025, quando o índice tinha atingido 1,3%. No total, a soma de todas as riquezas produzidas no território nacional somou R$ 3,3 trilhões em valores correntes neste início de ano.

Quando olhamos para o retrovisor e comparamos este resultado com o primeiro trimestre do ano passado, o avanço foi de 1,8%. Já no acumulado dos últimos 12 meses, a economia do país mostra uma expansão consolidada de 2%. Na prática, o PIB funciona como um grande termômetro que mede a produção de bens e serviços finais que chegam ao consumidor, incluindo os impostos, servindo para avaliar o ritmo do mercado e fazer paralelos com outras nações. Vale lembrar que, embora o indicador seja essencial para entender o tamanho da economia, ele não traduz de forma direta a distribuição de renda ou o bem estar social da população.

A subida de 1,1% na passagem do final de 2025 para o início de 2026 foi garantida porque os três principais pilares da economia operaram no azul. O grande destaque ficou por conta da agropecuária, que saltou 2% e acabou puxando a média geral para cima. Logo atrás veio a indústria, com evolução de 1%, sendo fortemente impulsionada pela extração mineral (3,6%) e pelo setor da construção civil (2,9%). Atualmente, a atividade industrial responde por quase um quarto de tudo o que é gerado no país.

Por outro lado, o setor de serviços, que é o gigante da economia brasileira e representa 70% de toda a nossa atividade, registrou uma alta mais tímida, de 0,5%. De acordo com Ricardo Montes de Moraes, coordenador de Contas Nacionais do IBGE, esse ritmo mais lento acabou segurando um avanço ainda maior do PIB. Mesmo assim, dentro do universo de serviços, as áreas de informação e comunicação lideraram os ganhos com 2,4%, seguidas pelo mercado imobiliário (1,2%) e pelo comércio (0,6%).

Do lado de quem consome, os brasileiros continuam movimentando o comércio: o consumo das famílias cresceu 1% no trimestre, enquanto os gastos do governo tiveram uma leve variação positiva de 0,4%. Outra excelente notícia foi o salto de 3,5% na Formação Bruta de Capital Fixo, um indicador técnico que aponta que as empresas estão investindo mais em máquinas, equipamentos e infraestrutura para produzir no futuro.

A nota negativa do balanço ficou por conta das transações com o exterior. As exportações brasileiras sofreram uma queda de 1,7%, enquanto as importações de produtos estrangeiros subiram 4,4%. Na balança que define o cálculo do PIB, esse cenário onde o país vende menos para fora e compra mais do exterior acaba gerando um impacto negativo, diminuindo o saldo final do crescimento.