Transações via Pix recuam 10% nos três primeiros dias após proibição das 'bets' no Brasil

Dados do Banco Central mostram redução na quantidade de operações

Publicado em 29 de setembro de 2026 às 14:11

Entra em vigor uma nova regra de segurança do Pix desenvolvida especificamente para combater fraudes.
Entra em vigor uma nova regra de segurança do Pix desenvolvida especificamente para combater fraudes. Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

O volume total de transações efetuadas por meio do Pix registrou uma queda acumulada de 10% nos três primeiros dias após a publicação da medida provisória (MP) do governo federal que proibiu as apostas esportivas online no país. A diminuição na quantidade de operações do sistema de pagamentos instantâneos reflete os primeiros impactos da restrição sobre a circulação financeira diária.

De acordo com dados apurados pelo Banco Central, no primeiro sábado pós-medida (26), foram contabilizadas 229,6 mil transações via Pix, o que representou um recuo de 11,0% em comparação com a média dos quatro sábados anteriores. No domingo (27), a contagem somou 165,9 mil operações (baixa de 12,0% na mesma base) e, na segunda-feira (28), atingiu 213,0 mil transações (retração de 7,4%).

Para parcelas do setor bancário, a suspensão das plataformas de apostas é vista de forma favorável por conter o comprometimento do orçamento doméstico, sobretudo entre as famílias de baixa renda, além de contribuir para desacelerar a inadimplência no crédito. Levantamentos do Citi indicam que mais de 40 milhões de brasileiros já haviam participado desse mercado, movimentando cerca de R$ 20 bilhões em receita bruta para as empresas do setor apenas no primeiro semestre. A expectativa de analistas é que a medida amplie a renda disponível dos consumidores e melhore a qualidade dos ativos das instituições financeiras.

Por outro lado, agentes do mercado e representantes do segmento de fintechs fazem ressalvas em relação à forma adotada para a proibição. Integrantes do setor financeiro apontam a insegurança jurídica decorrente da revogação por MP de um marco regulatório previamente discutido no Congresso Nacional, além dos prejuízos econômicos imediatos impostos a empresas e fintechs que atuavam diretamente no processamento dos fluxos de pagamentos e remessas do setor.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.