Publicado em 13 de agosto de 2026 às 13:49
Ao menos 786 candidatos que pretendem disputar as eleições de 2026 alteraram sua autodeclaração de cor ou raça em comparação aos dados que constavam nos registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2022. O número representa 4,5% das candidaturas registradas até o momento e ganha relevância devido às regras que vinculam a declaração étnico-racial à distribuição de verbas públicas para as campanhas.>
A mudança mais frequente identificada nestas eleições foi a de candidatos que se declaravam brancos e passaram a se declarar pardos, com 308 ocorrências. O caminho inverso, de pardo para branco, foi registrado em 262 casos. Do total de candidatos que modificaram sua informação, a maioria (53,3%) se declarou parda em 2026.>
Em termos absolutos, o partido Republicanos registrou o maior número de alterações, com 75 casos, seguido pelo PL(70) e pelo MDB (62). A grande maioria das mudanças (95,8%) concentra-se nas disputas para os cargos de deputado estadual, federal ou distrital.>
Especialistas em direito eleitoral e sociologia apontam que essas divergências podem ter causas variadas, como erros de preenchimento por parte das burocracias partidárias, uma nova percepção de identidade do próprio candidato ou motivações pragmáticas para obter financiamento destinado a candidaturas negras. Atualmente, a legislação exige que os partidos destinem, no mínimo, 30% dos recursos do Fundo Eleitoral e do Fundo Partidário para candidatos pretos e pardos.>
Para este ano, o TSE determinou que, sempre que houver divergência entre a nova autodeclaração e o cadastro anterior, o candidato e a legenda deverão ser intimados para validar a informação. Caso o erro seja admitido ou não haja resposta, a declaração será ajustada ao registro antigo, bloqueando o acesso aos recursos de ações afirmativas. Candidatos que insistirem em declarações consideradas indevidas pela Justiça Eleitoral para receber recursos carimbados podem ser condenados a devolver o dinheiro. Além disso, os casos de irregularidade podem ser comunicados ao Ministério Público Eleitoral para apuração.>
Com informações do g1.>
Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.>