Antra critica HBO Max por escolha de ator em personagem trans de 'Dona Beja'

Associação afirma que produção deveria ter escolhido uma atriz trans e aponta prática de transfake

Publicado em 9 de fevereiro de 2026 às 17:20

Associação afirma que produção deveria ter escolhido uma atriz trans e aponta prática de transfake
Associação afirma que produção deveria ter escolhido uma atriz trans e aponta prática de transfake Crédito: Divulgação 

Nesta semana, a novela Dona Beja passou a ser alvo de críticas após a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) divulgar uma nota de repúdio contra a HBO Max e a produtora da obra. O motivo foi a escalação do ator Pedro Fasanaro para interpretar Severina, personagem apresentada como uma mulher trans no início do século 19.

Segundo a Antra, a escolha desconsidera a importância da representatividade e reforça a exclusão histórica de travestis e mulheres trans do audiovisual. Para a entidade, o papel deveria ter sido interpretado por uma atriz trans, respeitando vivências e experiências que fazem parte dessa identidade.

Na avaliação da associação, a decisão se enquadra no que é chamado de transfake, termo usado quando atores cisgêneros são escolhidos para viver personagens trans ou travestis. Em nota, a Antra destacou que a prática ignora as violências específicas enfrentadas por essa população e limita oportunidades profissionais em papéis que poderiam ser ocupados por pessoas trans.

A entidade também criticou o próprio ator por aceitar o papel. Para a Antra, ao assumir a personagem, ele passa a ter responsabilidade social sobre o impacto dessa escolha, especialmente por se identificar como pessoa não-binária, o que, segundo a associação, exigiria maior compromisso com empatia e solidariedade.

Diante da repercussão, Pedro Fasanaro se pronunciou nas redes sociais. Ele afirmou que a leitura da personagem como mulher trans parte de uma visão contemporânea e explicou que, no contexto do século 19, não existiam os conceitos de identidade de gênero como são compreendidos atualmente. Segundo o ator, pessoas que fugiam dos padrões da época eram vistas como desviantes ou subversivas, sem o reconhecimento social que existe hoje.

A discussão reacendeu debates sobre representatividade, escolhas artísticas e responsabilidade das produções audiovisuais ao retratar personagens trans em obras de época.