Publicado em 3 de fevereiro de 2026 às 13:53
No palco do Grammy e nas telas do Oscar, artistas latinos vivem um momento simbólico de reconhecimento internacional. No domingo (01), Bad Bunny fez história ao vencer o prêmio de Álbum do Ano com um trabalho totalmente em espanhol. Pouco antes, o cinema brasileiro também alcançou um feito inédito: Wagner Moura tornou-se o primeiro ator do país indicado ao Oscar de Melhor Ator, por O Agente Secreto, filme que disputa quatro categorias na edição de 2026.>
Apesar de acontecerem em áreas diferentes, as conquistas apontam para um mesmo movimento: a cultura latino-americana passou a ocupar um espaço mais visível nas principais premiações do mundo. Desde 2025, esse debate ganhou ainda mais força com o sucesso de Ainda Estou Aqui e com as críticas ao filme Emília Pérez, acusado por artistas e público latino de usar referências culturais sem representatividade real.>
No caso de Emília Pérez, a polêmica envolveu desde a escolha do país que o representa no Oscar até o elenco e a forma como a cultura mexicana foi retratada. Embora falado majoritariamente em espanhol e ambientado no México, o filme concorre como representante da França, país do diretor. Além disso, boa parte do elenco principal nasceu nos Estados Unidos, o que ampliou as críticas sobre apropriação cultural. Outro ponto questionado foi a decisão de reconstruir um cenário mexicano em estúdios franceses, sob o argumento de liberdade criativa.>
Especialistas avaliam que a presença latina nas grandes premiações não é exatamente nova, mas só agora ganhou protagonismo. O cinema brasileiro, por exemplo, já havia chegado ao Oscar com Democracia em Vertigem, em 2020, e antes disso Fernanda Montenegro mobilizou o país ao ser indicada por Central do Brasil, em 1999. No cenário internacional, cineastas mexicanos também abriram caminhos importantes em Hollywood ao longo das últimas décadas.>
Na música, o reconhecimento segue uma lógica diferente. A vitória de Bad Bunny é vista como resultado de um processo longo, no qual ritmos latinos foram sendo incorporados à cultura pop dos Estados Unidos. Antes dele, nomes como Gloria Estefan, Ricky Martin, Shakira e Jennifer Lopez pavimentaram esse espaço, transformando o que antes era nicho em fenômeno global.>
Entre artistas brasileiros, o cenário também mostra avanços, ainda que de forma gradual. Caetano Veloso e Maria Bethânia venceram o Grammy na categoria Melhor Álbum de Música Global, e o próprio Caetano já havia sido premiado outras vezes. Ainda assim, a avaliação é de que o impacto dessas premiações na consolidação de carreiras internacionais segue limitado, funcionando mais como vitrine momentânea do que como garantia de projeção duradoura.>
Mesmo assim, o atual momento é visto como simbólico. Para além dos troféus, ele escancara uma disputa por espaço, identidade e reconhecimento. Em meio a críticas, avanços e contradições, artistas latinos seguem rompendo barreiras e mostrando que suas histórias, sons e imagens têm força própria no cenário global.>