Publicado em 2 de fevereiro de 2026 às 15:54
Morreu nesta segunda-feira (2), aos 75 anos, a escritora, poeta e contadora de histórias Heliana Barriga, uma das principais referências da literatura infantil no Pará. A informação foi confirmada por familiares, que apontaram infarto como a causa da morte.>
Natural de Castanhal, Heliana construiu uma trajetória marcada pelo diálogo direto com o público infantil, mas com alcance que ultrapassou gerações. Ao longo de mais de 40 anos de atuação cultural, publicou cerca de 60 livros, gravou dez álbuns musicais e se consolidou como uma artista múltipla, reunindo literatura, música, cordel e espetáculos cênicos voltados às infâncias.>
Conhecida como uma “ecopoeta do cotidiano”, Heliana tinha como marca a valorização da natureza amazônica, das brincadeiras populares, da oralidade e da musicalidade. Suas obras exploravam animais, rios, sons e palavras de forma lúdica, criando narrativas que estimulavam a imaginação e o afeto.>
Entre os títulos mais conhecidos estão A Abelha Abelhuda e Perereca Sapeca, livros que se tornaram clássicos entre educadores, mediadores de leitura e famílias. Apesar do foco no público infantil, seus textos também conquistaram jovens e adultos, pela sensibilidade e identidade regional presentes em cada história.>
Arte além dos livros>
Além de escritora, Heliana Barriga atuou como cordelista, compositora, sanfoneira e apresentadora de espetáculos infantis, levando leitura e cultura a escolas, feiras literárias e eventos culturais no Pará e em outros estados. Na música, lançou trabalhos como Mala sem Fundo, Letícia Coça-coça, A Filha do Jabuti, Se Eu Fosse Eu Brincava e Circo Furreca sem Mala, sempre com forte ligação com a tradição popular e a oralidade amazônica.>
Reconhecimentos>
Em 2023, Heliana foi a autora homenageada da Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes, na 26ª edição do evento, realizada em Belém. A homenagem reconheceu sua contribuição para a formação de leitores e para o fortalecimento da produção literária amazônica.>
Ela também recebeu o título de “Embaixadora das Infâncias de Belém da Nossa Gente”, concedido pela Secretaria Municipal de Educação (Semec), em reconhecimento ao impacto de seu trabalho no incentivo à leitura entre crianças da capital paraense. Mais recentemente, foi reconhecida como Mestra da Cultura pelo PNAB 2025, título destinado a artistas que preservam e difundem saberes da cultura popular brasileira.>
Até o momento, não foram divulgadas informações sobre velório e sepultamento.>