Zeneida Lima inspira parceria entre Pará e Rio de Janeiro na disputa de samba-enredo da Beija-Flor

O projeto aposta na ancestralidade amazônica na disputa que definirá o samba-enredo do Carnaval de 2027

Publicado em 30 de julho de 2026 às 10:24

Zeneida Lima inspira parceria entre Pará e Rio de Janeiro na disputa de samba-enredo da Beija-Flor - 
Zeneida Lima inspira parceria entre Pará e Rio de Janeiro na disputa de samba-enredo da Beija-Flor -  Crédito: Divulgação

A trajetória da pajé marajoara Zeneida Lima, uma das maiores referências dos saberes tradicionais da Amazônia, inspira uma das obras que disputam o samba-enredo da Beija-Flor de Nilópolis para o Carnaval de 2027. Identificado como Samba 02, o projeto reúne uma parceria formada por compositores do Pará e do Rio de Janeiro e aposta na força da ancestralidade amazônica para conquistar a comunidade da azul e branca de Nilópolis.

Assinam a obra os paraenses Ailson Picanço e Marcelo Moraes, ao lado dos cariocas Junior PQD, Junior Billy Mandy, Geraldo M. Fenícios e Marquinho Paloma, compositores experientes nas disputas das principais escolas de samba do Grupo Especial. A proposta transforma em versos e melodia o enredo “Zeneida: O Sopro do Pó de Louro”, que levará à Marquês de Sapucaí uma homenagem à escritora, compositora, ambientalista e fundadora do Instituto Caruanas do Marajó Cultura e Ecologia.

Mais do que uma disputa de samba-enredo, a parceria apresenta um projeto construído a partir de pesquisa histórica, imersão cultural e uma produção audiovisual desenvolvida para aproximar o público do universo simbólico da homenageada.

Pesquisa transforma história em samba - Para construir a obra, a equipe mergulhou na trajetória de Zeneida Lima e nos elementos que formam a identidade cultural do Marajó.

A pesquisa envolveu o estudo da história da homenageada e gravações realizadas em Soure, município diretamente ligado à sua trajetória, registrando paisagens, manifestações culturais e referências que dialogam com a narrativa do enredo.

As gravações também aconteceram no Rio de Janeiro, em parceria com a Imagina Rio, ampliando o alcance do projeto.

Toda a concepção artística do videoclipe é assinada pela produtora paraense Altar Sonoro, sob direção criativa de Guilherme Takshy e Naré, responsáveis pelo roteiro, direção artística, fotografia, produção, figurino e edição.

Reconhecida nacionalmente, a produtora desenvolve projetos para artistas como Gaby Amarantos, Dona Onete, Jaloo, Zaynara e Viviane Batidão, além de ter conquistado o Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira de Melhor Obra Audiovisual e o MVF Awards de Melhor Videoclipe – Narrativa pelo videoclipe “Rock Doido”, de Gaby Amarantos.

Ailson Picanço consolida trajetória entre os grandes compositores - Professor da Universidade do Estado do Pará (UEPA), Ailson Picanço é um dos compositores amazônicos mais vitoriosos da atualidade.

Há mais de 15 anos dedicado ao samba-enredo, iniciou sua trajetória no Carnaval Virtual antes de estrear nas disputas presenciais justamente na Beija-Flor, durante o concurso que definiu o samba do enredo inspirado em Iracema, apresentado pela escola no Carnaval de 2017.

Desde então, acumulou participações nas principais escolas do Rio de Janeiro, São Paulo e Belém.

Na capital fluminense disputou sambas na Beija-Flor, Grande Rio, Porto da Pedra, Imperatriz Leopoldinense, Salgueiro, Vila Isabel, São Clemente, Cubango e Maricá.

Em São Paulo integrou parcerias da Mancha Verde, Vai-Vai, Nenê de Vila Matilde, Acadêmicos do Tucuruvi e Dragões da Real.

No Pará assinou obras para Rancho Não Posso Me Amofiná, Quem São Eles, Mocidade Olariense e Deixa Falar.

Ao longo da carreira participou de mais de 30 finais de samba-enredo, colocou seis sambas na Marquês de Sapucaí, um no Sambódromo do Anhembi e quatro no Carnaval de Belém.

Em 2025 venceu a disputa da Beija-Flor de Nilópolis com “Laíla de Todos os Santos, Laíla de Todos os Sambas”, obra eleita Melhor Samba-Enredo pelo tradicional Estandarte de Ouro.

No mesmo ano conquistou a disputa da Acadêmicos do Grande Rio com “A Mina é Cocoriô”, ao lado de Marcelo Moraes. Em 2026 voltou a vencer a disputa da escola de Duque de Caxias.

“A Beija-Flor faz parte da minha história. Voltar a disputar um samba na escola com um enredo que homenageia Zeneida Lima é motivo de muito orgulho. Fizemos um trabalho sério de pesquisa e imersão para construir um samba que represente, com respeito, a força da cultura marajoara e da Amazônia. Esperamos emocionar a comunidade e honrar essa história.”

Para Ailson, as conquistas recentes representam também o reconhecimento da tradição do samba produzido no Pará.

“O Pará sempre foi um celeiro de grandes compositores de samba-enredo. Esta é a terra de Manito, Alcyr Guimarães e Ruy Barata. Temos uma discografia que nos enche de orgulho. O reconhecimento e as conquistas dos últimos anos abrem espaço para que mais compositores sonhem e conquistem vitórias na Marquês de Sapucaí.

Marcelo Moraes reforça o protagonismo paraense - A trajetória de Marcelo Moraes começou no Carnaval de Belém, integrando a escola de samba Deixa Falar.

Em 2023 passou a disputar sambas-enredo nas principais escolas do Rio de Janeiro e rapidamente conquistou espaço em agremiações como Beija-Flor, Unidos da Tijuca, Vila Isabel, Porto da Pedra e Grande Rio.

Os resultados vieram rapidamente - Em 2025 conquistou a disputa da Porto da Pedra e, no mesmo ano, venceu a disputa da Grande Rio com “A Mina é Cocoriô”.

Em 2026 tornou-se bicampeão da disputa da escola de Duque de Caxias e também chegou à final da disputa da Estação Primeira de Mangueira.

A parceria entre Marcelo Moraes e Ailson Picanço consolidou uma das duplas paraenses de maior destaque no Carnaval carioca.

“Sempre houve um intercâmbio entre o Carnaval do Pará e o Carnaval do Rio de Janeiro. Muitos compositores do nosso estado disputaram sambas nas grandes escolas, mas vencer sempre foi um grande desafio. Conseguirmos transformar esse sonho em realidade mostra a força da nossa produção e abre caminho para que outros compositores amazônicos também conquistem espaço na Marquês de Sapucaí.”

Sobre a disputa da Beija-Flor, Marcelo destaca o simbolismo da homenagem - “Esse samba nasce do encontro entre Nilópolis e o Marajó. Reunimos compositores experientes do Rio de Janeiro e do Pará para contar uma história que merece ser conhecida por todo o Brasil. É uma honra representar nossa cultura em uma escola como a Beija-Flor e contribuir para que a trajetória de Zeneida Lima ganhe voz através do samba.”

Uma parceria construída entre Pará e Rio - Além de Ailson Picanço e Marcelo Moraes, a obra reúne Junior PQD, Junior Billy Mandy, Geraldo M. Fenícios e Marquinho Paloma, compositores com ampla experiência nas disputas das principais escolas de samba do Rio de Janeiro.

A diversidade de experiências permitiu construir um samba que preserva a identidade musical da Beija-Flor e, ao mesmo tempo, incorpora referências culturais amazônicas, resultado de um trabalho coletivo de pesquisa, composição e refinamento artístico.

Calendário da disputa - A apresentação oficial do Samba 02 acontece no dia 30 de julho, marcando o início da disputa de samba-enredo da Beija-Flor.

As apresentações e eliminatórias ocorrerão nos dias 6, 13, 20 e 27 de agosto, na quadra da escola, em Nilópolis.

No Pará, a parceria fará uma apresentação especial no dia 15 de agosto, na Aldeia Cabana, em Belém.

A semifinal está prevista para 3 de setembro, e a grande final será realizada em 10 de setembro, quando a comunidade escolherá o samba-enredo que defenderá o enredo “Zeneida: O Sopro do Pó de Louro” no Carnaval de 2027.

Mais do que uma disputa - A participação do Samba 02 vai além da competição que definirá o próximo samba-enredo da Beija-Flor. A obra representa o encontro entre duas tradições do Carnaval brasileiro e reafirma a força criativa da Amazônia na principal vitrine do samba nacional.

Ao transformar a trajetória de Zeneida Lima em poesia, música e imagem, a parceria entre compositores paraenses e cariocas amplia a presença da cultura amazônica na Marquês de Sapucaí e reforça o protagonismo do Pará na cena do samba-enredo brasileiro.