Advogado de filho de Maradona pede até 16 anos de prisão para equipe médica

Defesa responsabiliza profissionais de saúde pela morte do ídolo argentino, em 2020; julgamento foi retomado após a anulação do primeiro processo, em 2025.

Publicado em 14 de outubro de 2026 às 14:46

Defesa responsabiliza profissionais de saúde pela morte do ídolo argentino, em 2020; julgamento foi retomado após a anulação do primeiro processo, em 2025.
Defesa responsabiliza profissionais de saúde pela morte do ídolo argentino, em 2020; julgamento foi retomado após a anulação do primeiro processo, em 2025. Crédito: Reprodução 

Nesta terça-feira (13), o advogado de Diego Fernando, filho mais novo de Diego Maradona, pediu penas de até 16 anos de prisão para profissionais de saúde acusados de responsabilidade pela morte do ex-jogador argentino. Durante uma audiência no Tribunal Oral Criminal nº 7 de San Isidro, na Argentina, Mario Baudry defendeu punições mais severas para alguns dos réus do que as solicitadas pelo Ministério Público.

O advogado pediu 16 anos de prisão para o neurocirurgião Leopoldo Luque e para Nancy Forlini, coordenadora médica responsável pelo atendimento ao ex-jogador. Para a psiquiatra Agustina Cosachov, a solicitação foi de 14 anos, enquanto o psicólogo Carlos Díaz poderá receber uma pena de 12 anos, conforme o pedido da defesa.

Durante a audiência, Baudry afirmou que Luque tinha conhecimento da gravidade do estado de saúde de Maradona e tentou evitar a responsabilização pelo desfecho do tratamento.

“Desde o primeiro momento, Luque sabia exatamente o que estava por vir e tentou se eximir de culpa. Ele sabia que Diego (Maradona) morreria com o tratamento que lhe estavam dando”, declarou o advogado.

O pedido é mais rigoroso do que o apresentado pela promotoria, que solicita penas de quatro a 12 anos de prisão para seis dos acusados e a absolvição de um deles. O julgamento está na fase final, com encerramento previsto para 22 de outubro, quando a defesa dos réus terá a palavra. A sentença será anunciada posteriormente.

A morte de Maradona é investigada como homicídio culposo, modalidade em que não há intenção de matar. Ao todo, sete profissionais de saúde que participaram dos cuidados do ex-jogador respondem ao processo: o neurocirurgião Leopoldo Luque, a psiquiatra Agustina Cosachov, o psicólogo Carlos Díaz, a coordenadora médica Nancy Forlini, o coordenador de enfermagem Mariano Perroni, o médico Pedro Pablo Di Spagna e o enfermeiro Ricardo Almiro.

Segundo a Promotoria-Geral de San Isidro, Maradona apresentava sinais de agonia antes de morrer e não teria recebido o monitoramento necessário nas horas que antecederam o falecimento. Caso sejam condenados, os acusados poderão enfrentar penas de oito a 25 anos de prisão.

O ex-jogador morreu em novembro de 2020, enquanto se recuperava de uma cirurgia cerebral realizada para retirar um coágulo. Após sua morte, um infarto foi apontado como a causa do falecimento.

O caso também foi marcado por uma reviravolta judicial em maio de 2025, quando o primeiro julgamento foi anulado e o processo declarado inválido. A decisão ocorreu após questionamentos sobre a participação da juíza Julieta Makintach em um documentário sobre o caso enquanto ela ainda integrava o tribunal responsável pelo julgamento.

Segundo a corte, a magistrada participou das gravações e teria facilitado a entrada de câmeras nos locais das audiências, apesar da proibição de filmagens no tribunal. Makintach passou a responder a outras acusações, e outros dois magistrados que atuavam no processo renunciaram aos cargos.

Com a anulação, o caso precisou ser retomado, prolongando a busca por uma decisão judicial sobre a responsabilidade dos profissionais que cuidaram de Maradona nos últimos dias de vida do ídolo argentino.